sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Os Olhos: a lâmpada do corpo - Mateus 6.22

Em um mundo conturbado como este, onde a desmoralização da pessoa humana, o repúdio ao bem, os desdém aos princípios éticos, sobretudo, o confronto à Palavra de Deus fez do sistema secular um cenário, no qual, o pecado fala mais alto, recorrer à Escritura Sagrada e alimentar-se deste pão salutar continua sendo a única e profícua alternativa para, assim, nos mantermos em pé face às intempéries da vida. 
Jesus deixou para a Sua Igreja preceitos primordiais à fé cristã, que certamente diferenciam-nos do modo de vida iníquo, exposto diante de nossos olhos. Para tanto, é preciso ter em mente que, como cidadãos do Reino de Deus, devemos ser uma luz brilhante no sistema social dos homens, obscurecidos por causa do pecado; outrossim, nos portarmos como uma geração santa, comprometida com Deus e conclamando as almas perdidas a um genuíno arrependimento, convencendo-se da necessidade de um Salvador, que é Jesus Cristo. 
A Escritura Sagrada diz que "a candeia do corpo são os olhos..." (Mt 6.22). Alguém já disse que os olhos são "as janelas da alma", dando ao olhar uma importante conotação. A Palavra de Deus é enfática quanto a isso. Da maneira como a candeia, nos tempos bíblicos, necessitava de óleo para produzir luz, os nossos olhos, para serem bons, necessita do óleo da graça divina para que todo o nosso viver tenha luz a resplandecer neste mundo em densas trevas pecaminosas. Assim como o Evangelho do Senhor Jesus e a operação do Espírito Santo conserva em nós o óleo da Sua unção tornando-nos luz neste mundo tenebroso, o pecado, que induz o homem a maldade, leva-o a uma vida infrutuosa, ineficaz, enfim, longe do conhecimento de Deus, conforme a Escritura diz: "Mas, se ainda o nosso Evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus" (2 Co 4.3,4). "Nos quais" é uma referência aos homens sem Deus, vitimadas pelo Maligno, com "os entendimentos" entenebrecidos, isto é, sem percepção alguma dos perigos que o pecado lhe impõe e sem disposição para crer no Evangelho de Cristo. 
O olhar é uma fonte aguçadora dos nossos sentidos, alarmando desejos, quer sejam bons, quer sejam nocivos, o que é exemplificado por toda a Bíblia Sagrada. Eva comeu do fruto porque era "agradável aos olhos" (Gn 3.6); e "viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas..." (Gn 6.2), onde a palavra "viram" admite a tradução "olhar atentamente" e, finalmente, o apóstolo João escreveu em sua primeira carta dizendo que "a concupiscência dos olhos... não é do Pai, mas do mundo" (1 Jo 2.16). Somente "olhando para Jesus" (Hb 12.2), nos apartaremos do mundo mau, conservando-nos com a luz da presença de Deus, afinal, "a candeia do corpo são os olhos". 
A referência bíblica em estudo, Mateus 6.22, fornece-nos uma joia valiosa: "A candeia do corpo são os olhos: de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz". A conjunção que destacamos denota proporção. À medida que o cristão se conserva puro, guardando os seus olhos de tudo que é pernicioso (Sl 101.3), toda a sua vida se inclinará unicamente para as coisas lícitas, agradáveis a Deus e que, consequentemente, serão edificantes para a sua fé no Senhor (ver Fp 4.8). Por outro lado, se nossos olhos forem maus, todos os nossos sentidos serão despertados para as coisas pecaminosas, as quais, conflituam a Palavra de Deus. Para provar que o evangelho, a boa nova de salvação, oferece um modelo de vida amplamente distinto do que pensa o homem é que Jesus disse: "Vós sois a luz do mundo..." (Mt 5.14). Existe diferença entre a lâmpada e a luz. A nascente Igreja, representada inicialmente pelos doze apóstolos, foi vocacionada para ser a luz e não uma lâmpada, a lâmpada do judaísmo, do farisaísmo, etc, mas chamada para uma novidade de vida (Rm 6.4); ser uma nova criação (2 Co 5.17); criada, segundo Deus (Ef 4.24) e praticante da verdade divina: "Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus" (Jo 3.21). A luz, na Bíblia, é representada em, pelo menos, seis aspectos: 

1) A luz fala do testemunho - Mateus 5.16; 

2) A luz fala de glorificação - Mateus 17.2; 

3) A luz fala do Messias - João 1.5-10; 

4) A luz fala de revelação - Efésios 5.13; 

5) A luz fala da eficácia do Evangelho - 2 Coríntios 4.4; 

6) A luz fala da Divindade - 1 Timóteo 6.16; Tiago 1.17  

As virgens néscias não entraram para as bodas porque tinham lâmpada, mas não tinham luz (Mt 25.1-13). Não basta a aparência de cristão, traje de cristão ou coisa do tipo; deve sobressair de um coração puro e voltado para fazer aquilo que é reto diante de Deus e dos homens, pois, somos uma candeia tendo em nossos olhos o santo colírio da graça.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Perigos do Imperialismo

E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência 
Jeremias 3.15 

Muitas outras referências bíblicas poderiam ser usadas para reforçarem o tema acima. Entretanto, a passagem  bíblica estipulada também pode aclarar a realidade do espírito imperialista, em contraste com uma vida resignada, em consonância com a vontade de Deus. O objetivo maior, aqui, é nos conscientizarmos desta triste realidade, sabedores de que nada e nem ninguém pode abalar a nossa fé no Senhor, pelo contrário, sempre avançando na direção divina, batalhando pela fé "uma vez entregue aos santos" (Jd 3). 
Tendo em vista a soberba dos que se dizem grandes, agigantando-se sobre os que procedem piedosa e humildemente, a forma desapaixonada de testemunharem do Evangelho, por eles não vivido, muitos são os que se assombram ao verem esta deplorável realidade que ganha espaço de forma prevalecedora no seio da Igreja. A engrenagem do fervor espiritual fica emperrada pelo desânimo advindo da contemplação destes dissabores ocorrentes em  nossa trajetória. Onde está a verdadeira visão de Reino? Onde está o compromisso com o simples, mas, poderoso Evangelho de Jesus Cristo? Tudo não passa de um profissionalismo liberal, egocêntrico, exacerbado, árvore que produz o fruto da decepção, experimentado por muitos cristãos professos, guardiões da doutrina bíblica, e que no temor do Senhor prosseguem corajosamente sem pensarem em voltar atrás. É a verdadeira Igreja firmada na Rocha, contemplando assustadamente os falíveis métodos dos muitos líderes eclesiásticos, fundamentados na areia. 
A Escritura Sagrada apresenta a Igreja como propriedade divina (Mt 16.18; 1 Tm 3.15; 1Pe 2.9). Foi Cristo quem se entregou por ela (Ef 5.25). Ele é o fundamento indestrutível e insubstituível da Igreja (1 Co 3.11), o Pastor e Bispo das nossas almas (1 Pe 2.25). É lamentável como estas e outras verdades ficaram entregues ao esquecimento de muitos que apascentam o rebanho do Senhor Jesus. Logo, o que procuram é o auto-engrandecimento, a utilização de seus próprios artifícios, desprovidos da graça do Espírito Santo e com isso, caminham na contramão daquEle que disse: "E vos darei pastores segundo o meu coração..." (Jr 3.15). E enquanto as ovelhas pedem pão, os tais pastores lançam-lhe pedras (Mt 7.9). Ora, o pão satisfaz o organismo, a pedra machuca e "entala" a garganta. Quando a Igreja deseja o pão da sabedoria divina, muitas vezes recebe, imerecidamente, "pedras" que lhe sufocam a alma, chocando-se com o desamor estampado na fisionomia e atitudes de muitos líderes de Ministério. 
Mas por que fazem isso? Porque fizeram da Igreja um IMPÉRIO e do santo altar do Senhor um trono onde acha que pode monopolizar o povo, usando de um autoritarismo inconveniente! Quem são estes? São pastores imperialistas, os quais, por meio de seu modo impiedoso, consideram-se "donos" da Igreja, julgando serem irremovíveis de suas funções ministeriais. O espírito imperialista tem ganhado corpo e espaço de atuação na história do povo de Deus, como veremos: 

1) O imperialismo representado no ato inescrupuloso de Moisés (Nm 20.7-11) - A ordem do Senhor Deus era falar a Rocha (Nm 20.8), porém, Moisés feriu, transgredindo, assim, a palavra do Eterno (Nm 20.11,12). O povo deveria estar em volta da Rocha, símbolo de Cristo (1 Co 10.4), Moisés, porém, reclamou atenção para si, como se dele partisse o intento de dar água ao povo. O espírito imperialista evoca atenção para si próprio, ferindo a vontade daquEle que disse: "... a minha glória, pois, a outrem não darei..." (Is 42.8). Verdade é que a chamada pastoral é honrosa, pois o Senhor mesmo nomeou uns para pastores (Ef 4.11), no entanto, Jesus Cristo é o "Grande Pastor", "O Sumo Pastor" (Hb 13.20; 1 Pe 5.4), mediante cuja vontade devemos apascentar as Suas ovelhas. Outrossim, o espírito imperialista desrespeita a ordem expressa do Senhor, "ferindo", "atacando", ao invés de falar na autoridade outorgada pelo Espírito de Deus. 

2) O imperialismo representado no soberbo coração do rei Uzias (2 Cr 26.16) - O reino fortificado e consolidado de Judá, levou Uzias a exaltar-se em seu coração "até se corromper". A história é a mesma em nossos dias. Igreja bastante acrescida de membros, na sua maioria, assíduos nos cultos, dizimistas e ofertantes fiéis, renda financeira equilibradamente elevada todos os meses, estrutura arquitetônica do templo dotada de singular beleza, estes e outros fatores tem se tornado motivo da exaltação de muitos pastores que atribuem isso a sua própria capacidade e genialidade, esquecendo-se da potente mão do Senhor que opera graciosamente. Não é erro nenhum alegrar-se com aquilo que realizamos na obra do Senhor, porém, sempre devemos reconhecer que isso é resultado da bondade de Deus! Ele constitui e destitui a quem Ele quiser (Jó 12.9,14; Dn 2.21b). 

3) O imperialismo representado no pernicioso coração do rei Herodes (Mt 2.1-3,13) - Herodes perturbou-se grandemente ao ser informado que já nascido o "Rei dos Judeus" (Mt 2.2), porque, possivelmente, temia que o menino, quando já adulto, ocupasse o trono. O imperialismo fez com que muitos líderes se considerassem "exclusivos" no cargo pastoral, procurando obstruir o sucesso de outros, vistos como rivais em vez de serem vistos como companheiros na Seara do Metre. Se acham "eternos" no ministério, nunca aceitando a competência de outrem num determinado ofício. Não somos únicos, exclusivos e nem eternos, somos todos pedras vivas (1 Pe 2.5), as quais, em conjunto, formamos o edifício vivo chamado IGREJA, da qual Jesus Cristo é a pedra principal. Aleluia! 

Deus não Se agrada de imperialismos ou monopolismo, onde tudo gira em torno do homem e não da Presença Divina. O que agrada ao Eterno de Israel é o compromisso de homens e mulheres que se empenham na Sua obra sem reservas e com esforço desmedido, enfim, homens e mulheres segundo o Seu coração, que reconheçam que Deus é o centro de tudo e o Senhor da Igreja.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O Que É Mais Belo?

O que é mais belo? Dar ou receber? Receber é proveitoso, pois, nunca se diz "não" acerca de qualquer coisa concedida de bom grado. A mais bela virtude é dar, pois, adiante os presentes, vai a inteireza de um coração sincero e voluntário. 
O que é mais belo? Saudar ou ser saudado? Quem recebe a saudação alegra-se pelo prazer de ser lembrado. Mais belo é saudar, pois, nela se destaca a verdadeira nobreza e os bons modos que são transmitidos a outros. 
O que é mais honroso? Aplaudir ou ser aplaudido? Quem é aplaudido está sujeito a esquivar-se da genuína simplicidade de espírito. Mais honroso é aplaudir, pois, reconhecer a dignidade de outrem é uma marca insígne dos fortes. 
O que merece mais atenção? A veneração aos grandes homens ou a penúria dos desfavorecidos? Os grandes não se cansam de buscar louvores e os esquecidos não se cansam de clamarem por seus direitos, lançados às obscuras de um orgulho exacerbado. 
O que é mais decoroso? A boa aparência ou a prudência no falar? A boa aparência pode imprimir a imagem do que não somos. A prudência no falar reflete pureza na consciência e retidão no caráter; a língua indecorosa é maldita e poderosa para lançar no inferno. 
O que é mais vergonhoso? O vício desenfreado dos nossos jovens ou a descrença estúpida da sociedade? Os jovens, enganosamente, acreditam no melhor da vida, supostamente oferecidos por suas práticas viciosas. Insensata é esta sociedade! Sem Deus, afogada num mar de desamor, ignora a deplorável realidade que açoita os nossos jovens, fadados ao opróbrio. 
Um cristal quebrado não volta ao normal, uma milha percorrida é algo motivacional; porém, o que é mais belo? O que é mais honroso? O que merece mais atenção? O que é mais decoroso? O que é mais vergonhoso? Qual a paisagem da vida nos dias de hoje? Com palavras descrevemos uma história, mas com a própria vida podemos vivenciá-la do modo mais excelente que o Deus Criador, o Senhor da vida, pode conceder a cada um de nós, se assim desejarmos.

sábado, 24 de agosto de 2013

O Lamento de uma sociedade muda

O sentimento é algo delicado. A indignação parece ser um peso em vista do que sentimos. A esta realidade estamos todos vulneráveis. É o fraco se fazendo forte; podendo ver, mas se fazendo cego; ouvido atento agindo qual surdo; podendo falar mas é vítima da mordaça colocada pelas incertezas do cotidiano. Alguém dirá: Quais incertezas? A incerteza da justiça triunfando sobre as violações aos bons costumes e valores, malogrados nesta era pós-moderna; outrossim, a incerteza do respeito ao decoro, ao pudor e à ordem; estamos entregues à desonra e ao vilipêndio. A verdadeira reciprocidade se torna cada vez mais sufocada pelo individualismo, sempre presente em nossos dias. 
Foi-se o tempo em que as escolas prezavam fortemente pela formação de caráter das nossas crianças; muitos educadores (NÃO TODOS), sem escrúpulo no cumprimento de suas responsabilidades educacionais, deixaram ser vencidos pela tediosa rotina de ir e vir, preocupados unicamente pelo lucro de seu trabalho, sem fazer do mesmo a oportunidade de incutir nas crianças de hoje valores duradouros que reflitam no amanhã. Sabiamente diziam os antigos: "O homem que trabalha somente pelo que recebe não merece ser pago pelo que faz". 
É filhos abrindo os braços para a marginalidade, pais que perderam a autoridade de regê-los, os maus que prevalecem, os justos que perecem, direitos que são sabotados; é a corda sempre quebrando para o lado mais fraco. Este é o filme a que assistimos todos os dias. Os perversos não se cansam de serem perversos, os bons parecem se fatigarem de seu caráter ilibado. Pode-se ensinar nossas crianças a serem boas pessoas em mundo cada vez mais mergulhado na maldade, na hipocrisia e no desrespeito mútuo? Na teoria, inúmeras são as respostas, mas, na prática, o silêncio é a mais enfática. 
Esta é a sociedade na qual vivemos. Contempla a injustiça, o massacre ao verdadeiro modo de vida, contudo, vive se esquivando das reivindicações que lhe são óbvias. Homens da lei, comprados pela mentira, amantes da rivalidade e inimigos do companheirismo, visam seus próprios interesses em detrimento das necessidades das massas. Somos uma geração saudosista! Lamentamos tempos bons que acreditamos não voltarem mais. Vivemos apenas de recordações! Enfim, esta é a sociedade muda, cujo grito da indignação continua embutido dentro de si. Esta é a nossa triste realidade, isso é Brasil! 
Deus tenha misericórdia da nossa nação.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Perigo das Distrações


Por isso, estais vós apercebidos também, porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis – Mateus 24.44

Estamos vivendo o período em que a distração encontrou guarida no coração de muitas pessoas, principalmente dos santos do Senhor. Não percebemos a fatalidade dos perigos que se afloram ao nosso redor; entretanto, quando deveríamos estar mais próximos do Evangelho, parece que estamos cada vez mais longe dele e, movidos pelo mecanismo da distração, esquecemos dos propósitos originais de Deus para com Seu povo, elucidados nas Escrituras Sagradas.
Disse o Senhor Jesus Cristo: “... o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis”. Em outras versões, lemos: “... na hora em que não esperais”; “... à hora em que não cuidais”. A verdade a ser exaurida a partir destes termos é a proximidade do fim dos tempos e a vigilância redobrada da Igreja, uma vez que a vinda do Senhor é uma realidade inconteste para os que a esperam pacientemente.
Ao revés, os olhos dos que estão na casa de Deus inclinaram-se a outros horizontes, amplamente diferentes do ponto de vista bíblico. E a “coisa” vai caminhando de mal a pior, recordando-nos das palavras do pastor José Roberto Oliveira Chagas: “Sacerdócio virou negócio, pastor virou gestor, igreja virou empresa, crente virou cliente e o VERBO virou verba”. Estão extinguindo do púlpito das Igrejas o verdadeiro evangelho de Cristo, que é renúncia de pecados, vida de santidade, obediência irrestrita à Palavra de Deus, enfim, ao invés de se corresponder à vontade divina, estão na contramão dela, porque a maldita distração tem ofuscado a visão espiritual de muitos.

São muitos os fatores negativos que sufocam a vida espiritual do crente, privando-o de uma genuína comunhão com o Senhor. Vejamos:

1 “À hora em que não penseis” – A Tormenta demasiada do secularismo. O Reino de Deus perdeu a primazia na vida cristã (Mt 6.33). O interesse pessoal tem alvoroçado corações que, outrora, foi morada do Rei da glória. A busca incansável pela promoção secular, status e tantas outras prerrogativas tão cobiçadas tornou-se o tema preponderante da sociedade pós-moderna. É extrema tolice desestimular alguém dos seus projetos futuros, porém, o que é mais degradante é deixar estas coisas desnortear a nossa fé do alvo principal: Jesus Cristo (Hb 12.2)!

2 “À hora em que não penseis” – O desejo desenfreado pelo lucro financeiro. A teologia da prosperidade virou  tema relevante nas comunidades de fé. A importância de uma vida devocional à luz da Palavra de Deus ficou entregue ao esquecimento, prevalecendo a ânsia pelo acúmulo de bens. Convém salientar que: 1) prosperidade não é evangelho bíblico, 2) não é doutrina bíblica, 3) não é sinônimo de riqueza (Pv 30.8,9) e sim um dos resultados da nossa obediência ao que ensina a Palavra do Senhor (Dt 28.1-14; Sl 1.1-3). Diante disso, fica claro uma realidade gritante nos dias de hoje: muita gente quer Jesus na causa, mas não quer Jesus na vida!

3 “À hora em que não penseis” – O comodismo religioso. A verdadeira piedade, o fervor espiritual e a abnegação deram lugar ao relativismo. O que era indignação contra o profano, agora é aceito no mais alto grau de normalidade, tolerando o erro e o mundanismo dentro da Igreja, maculando a sua identidade. É a Igreja adormecida, displicente, presa às distrações deste mundo, aos embaraços da vida, sem forças para caminhar, olhos obscurecidos, ouvidos cerrados e uma alma mórbida que perdeu a latente esperança da vinda do Senhor Jesus Cristo para arrebatar os que lhe esperam.
Como peregrinos, devemos viver neste mundo de modo que nada seduza o nosso coração do propósito de servir fielmente a Deus, pois, estamos aqui apenas de passagem (1 Co 15.19; Hb 13.14). Como noiva de Cristo, devemos preservar o firme compromisso de agradá-Lo em tudo, afinal de contas, o Filho do Homem certamente virá. Sigamos, pois, a orientação bíblica: “olhai, vigiai e orai” (Mc 13.33). 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

A Credibilidade do Antigo Testamento

Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida pela vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo – 2 Pe 1.20,21

Na palavra de Deus está escrito que o saber se multiplicaria (Dn 12.4). Em contrapartida, a ignorância também seria um veneno mortal que infelizmente tem encontrado guarida no coração de muitos que afirmam conhecer a Palavra de Deus. Não ter comunhão com as Escrituras é entrelaçar-se no engano, nas heresias e em tudo aquilo que deturpa a Palavra de Deus; e quem possui este péssimo currículo estará fadado ao fracasso.

Há quem afirme que o AT (Antigo Testamento) não possua nenhuma validade para o cristão desta era pós moderna. Porém, isto é um terrível crime teológico, pois, no NT (Novo Testamento) encontramos inúmeras referências que atestam a veracidade dos Escritos vetero-testamentários como inspirados pelo Espírito Santo. Diante do exposto, cabe-nos reconhecer a autenticidade dos Livros do AT bem como a seriedade dos homens que, imbuídos por Deus, compuseram esta obra literária de imensurável valor. O renomado pastor e teólogo Esequias Soares, em seu Livro Visão Panorâmica do Antigo Testamento, diz: “O AT era a Escritura Sagrada usada pelos apóstolos na pregação do evangelho. O Senhor Jesus usava com muita frequência essa Escritura em suas pregações e ensinos”. Em outro parágrafo, ele diz: “Revelação e Inspiração são coisas diferentes. A palavra revelação, em grego, significa o ato e o efeito de tirar o véu que encobria o desconhecido. Nas Escrituras essas palavra é usada em relação a Deus, pois é Ele quem revela a Si mesmo, Sua vontade e natureza e os demais mistérios (Dt 29.29; Am 3.7; Jo 1.18). A inspiração é o registro dessa revelação sob a influência do Espírito Santo, que penetra até as profundezas de Deus (1 Co 2.10-13). Ser o NT uma revelação superior Velho não significa ter mais autoridade do que ele”, pois, ambos foram inspirados pelo Espírito Santo. Logo, a mesma credibilidade dada ao Novo Testamento deve ser a mesma prestada ao Antigo Testamento, haja vista o seu conteúdo histórico-teológico, que suplementa o escopo doutrinário do NT.

De acordo com a citação acima, entendemos que a autoridade do AT é irrevogável. Qual era o livro-texto dos apóstolos ao pregarem Cristo aos que lhe ouviam? Daonde eram exauridas as afirmações que davam sustentação à sua pregação? Porque não dizer o próprio Cristo que, em defesa do Seu ministério e ministrações dos Seus ungidos sermões, usou muitas vezes as Escrituras do AT, convencendo as turbas do Seu chamado messiânico, aprovado por Deus? Tudo o que o NT nos relata a respeito do Senhor Jesus Cristo, é nada mais que uma comprovação da fidedignidade do AT e são muitos os exemplos que confirmam isso. Sempre que o NT usa o termo Escritura, é referindo-se ao AT, pois, ainda não havia sido escritos os rolos que compoem o NT que temos hoje. Portanto, ignorar essa verdade é desrespeitar o conteúdo sagrado e para nossa advertência, o apóstolo Pedro diz: Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo (2 Pe 1.21). A quê se referia o apóstolo quando usou o termo “profecia”? Não era outra coisa senão o AT, denotando, com isso, sua validade e aceitação.

Por que devemos aceitar o AT como Palavra de Deus?

1.   Os relatos históricos, as profecias, as revelações nele contidas mostram a ação sobrenatural de Deus na história humana, cujas evidências exaltam a autenticidade vetero-testamentária;
2.   As profecias nela contidas apontavam para o Redentor que viria a terra; cumprindo-se fielmente na pessoa de Jesus Cristo (Lc 24.26,27,44-47), o Qual é bendito eternamente. Amém!
3.    O Senhor Jesus disse claramente: Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam (Jo 5.39,46,47). Como em muitas outras passagens bíblicas, Jesus Se referiu, aqui, ao Antigo Testamento;
4.   O apóstolo Paulo também escreveu: Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça (2 Tm 3.16). O apóstolo Paulo disse TODA A ESCRITURA provando ser a mesma, em sua totalidade, a Palavra inspirada de Deus.


Essas e muitas outras razões nos mostram a originalidade do AT como Palavra de Deus, digna de credibilidade e confiança, nos estribando nas palavras do escritor da carta aos Hebreus: viva e eficaz (Hb 4.12). Que possamos nos deleitar nesta fonte imensurável de sabedoria divina, da qual, só pode desfrutar todo aquele que verdadeiramente teme ao Senhor.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Descendo da Cavalgadura

Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão. E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele - Lucas 10.33,34 

Estamos vivendo no fim dos tempos. Porém, sabemos que o amanhecer de uma vida plena em Cristo é antecedido de um período obscuro de provações. A Bíblia Sagrada está repleta de exemplos, tais como: O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã (Sl 30.5), A noite é passada, e o dia é chegado (Rm 13.12); nestes e em muitos outros versículos, a noite sempre antecede o dia. Não há amanhecer sem anoitecer. A Igreja está no "choro da noite", crendo que o Sol da Justiça, Jesus Cristo, resplandecerá, aparecendo em glória e excelsa majestade para nos levar ao encontro de Deus Pai. Maranata! 
São muitos os fatores desastrosos que vem manchando a sociedade, mutilando lares, ferindo a integridade no seio familiar. É a noite propriamente dita, que parece não dar lugar ao despontar do novo dia. À semelhança do viajante que "descia... de Jerusalém para Jericó" (Lc 10.30), a sociedade está "descendo", isto é, regredindo, sofrendo os ataques do pecado, sendo vitimada pelos dardos inflamados do maligno. Triste é a realidade de quem prefere Jericó (o mundo de pecados), desdenhando Jerusalém (a presença de Deus), e com isso, sofrem os terríveis flagelos que o diabo impõe, sujeitando-lhe a criatura, feita pelo Deus vivo à Sua imagem e semelhança.
Os salteadores desta vida estão atacando à torto e à direito. A violência doméstica, a rebeldia dos filhos contra os pais, a promiscuidade entre moças e rapazes no vigor da juventude e tantas outras coisas que vem afetando até mesmo a Igreja de Deus. Os males vão aflorando, deixando as vítimas, muitas vezes, desarmadas, inseguras e sem esperança de auxílio. Aonde está a Igreja? À semelhança do sacerdote e do levita, "vendo-o" e passando de largo (Lc 10.31,32). Sejamos como o samaritano, que indo de viagem, viu o moribundo e dele se compadeceu, prestando-lhe socorro. Algumas lições preciosas podemos auferir desse ilustre personagem: 
1) Ele não olhou para a diferença social - O Apóstolo João diz que os judeus não se comunicam com os samaritanos (Jo 4.9). O tal moribundo no caminho certamente era judeu. O samaritano, "que ia de viagem" (Lc 10.33), ao vê-lo, podia muito bem seguir seu itinerário, contudo, não olhou para a barreira social existente entre seu povo e o povo judeu e tratou de socorrê-lo. Esse deve ser o perfil de uma Igreja que julga ser cristã e que afirma pregar o Evangelho verdadeiro; não deve haver diferença de gênero algum para quem afirma viver no amor de Cristo (Cl 3.14,17; 1 Pe 4.8). 
2) Ele não se deixou levar pelo individualismo - Tanto o sacerdote como o levita, ao verem o homem ferido no chão, se mostraram inerte ao sofrimento de seu irmão. Com isso, esbanjaram o individualismo, menosprezando o seu próximo. Uma Igreja individualista não pode agradar a Deus (Sl 133.1).Encontramos nas Escrituras termos que comprovam que a Igreja de Cristo tem que ter espírito coletivo: amai-vos uns aos outros (Jo 13.34), consolai-vos uns aos outros (1 Ts 4.18); exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros (1 Ts 5.11), suportando-vos uns outros e perdoando-vos uns aos outros (Cl 3.13). Segundo a Escritura, isso é fortemente confirmado, mormente quando amamos a quem nos aborrece. Disse o Senhor Jesus: Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? (Mt 5.46). 
3) Ele não olhou para o preconceito racial - Os judeus discriminavam os samaritanos no mais alto grau (ver Jo 8.47,48). Qual seria a sensação dos judeus ao ouvirem dos lábios de Jesus que o seu conterrâneo ali ferido, um judeu, fora amparado por um samaritano? Certamente eles ficaram atônitos. A prontidão do samaritano (que também era descendente de Abraão) em ajudar o pobre moribundo revela a sua reação aos preconceitos que sofria. Do mesmo modo deve ser a Igreja do Senhor Jesus. Ela deve reagir a toda a espécie de preconceito de forma a superar esses ataques vencendo-os através do amor de Deus... derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5.5). 
4) Ele desceu da cavalgadura - Com o sentimento de compaixão que o samaritano tinha, era impossível ver o sofrimento daquele ferido viajante e não exercitar a misericórdia para com ele. Como podemos ver Deus atender ao necessitado se nós, o corpo de Cristo, não nos dirigimos até ele? Cristo quer Se revelar ao oprimido, ao sorumbático, ao desamparado e ajudá-lo, entretanto, Ele deseja fazer isso por meio do Seu corpo, a Igreja. Quantos feridos ao nosso redor, vivendo em extrema penúria, material e espiritual, clamando por socorro? Como o samaritano, temos que nos aproximar dos tais, ou seja, descer da cavalgadura; sair da zona de conforto e chorar com os que choram (Rm 12.15). Permanecer na cavalgadura é ficar a par das vicissitudes de outrem, sem ao menos perceber que, no amanhã, nós careceremos de tamanha hospitalidade, amparo, consolo, fatores estes que o nosso próximo tanto espera receber de nós. 
Uma Igreja que não preza por viver no amor de Cristo e seguir a misericórdia não tem a Palavra de Deus como sua regra de fé, pois, é ela que nos orienta a viver uma vida dosada do amor e da graça divina, a fim de alcançar aos que ainda não receberam o gozo da salvação em Cristo.