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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Jesus sabe o dia da Sua Volta?

"Porém, daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai" (Mt 24.36).

Desde os áureos anos da História da Igreja, ou, porque não dizer durante o Ministério terreno do Senhor Jesus, muitos tem procurando questionar a Sua deidade, Sua Filiação, Sua "origem", emfim, buscado meios, aparatos históricos, mitológicos, "teológicos" no afã de descartar a divindade de Cristo, rebaixando-O a um mortal, um simples homem de bem, um profeta, mas, nunca aceitando-O como um Ser Divino, integrante da Santíssima Trindade. Usam de muitas referências bíblicas para tentar provar esta falaciosa tese, suplantada pelas Escrituras, a poderosa e infalível Palavra de Deus. 


A passagem bíblica mencionada (Mt 24.36), é uma das muitas usadas pelos unitarianos para tentar defender a não-divindade de Cristo, portanto, um ser como os demais homens. O problema dos unitarianos é exatamente limitar a veracidade das Escrituras Sagradas, usando versículos que PARECEM apoiar suas hipóteses desconcertantes. Porém, vemos comprovado nas Escrituras, em todo o Seu escopo teológico que Jesus Cristo é o Filho de Deus, portanto, de natureza igual ao Pai. Uma das muitas passagens usadas por eles para tentar comprovar seu paradoxal argumento é 1 Timóteo 2.5, que diz: "Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem". A razão da palavra "homem", relacionada a Cristo, simplesmente dá uma ênfase de Sua humanidade, de Sua encarnação e de Sua auto-humilhação, ou seja, o Mediador entre Deus e os homens é tão Divino quanto o Pai, porém, alguém que, ao humanizar-Se, conheceu as limitações da natureza, sua propensão à queda, ao pecado, e, sendo Ele conhecedor desta realidade humana, é que pode agir como intercessor, mediando-nos entre nós e o Pai. Acerca disso, claramente falou o escritor da Carta aos Hebreus: "Porque, naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados" (Hb 2.18; 4.15). O apóstolo Paulo, reconhece a Divindade de Cristo, ao afirmar: "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus" (Fp 2.5,6). Algumas verdades devem ser notadas aqui: 


§ "que, sendo em forma de Deus". O termo "sendo", no original, indica existência, existir. Neste caso, seguido pelo dativo de pessoa, indica existência no tempo presente no sentido mais enfático do termo. Vemos atestada aqui a auto-existência do Filho de Deus, sempre presente assim como o Pai. Ainda a Escritura diz que Jesus Cristo "é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente" (Hb 13.8). Tanto Ele é eterno como é eternamente. Esta derivação "eternamente" reforça ainda mais a divindade do Senhor Jesus, pois, como a eternidade é algo além do tempo, assim o Filho de Deus, Eterno e Eternamente Deus, sobrepuja ao tempo e à mortalidade, pois, é Deus verdadeiro e verdadeiramente Deus! Aleluia! 

§ "que, sendo em forma de Deus". O termo "forma", no original, possui um indicativo de "natureza", provando que o Senhor Jesus é da mesma natureza que o Pai. Até na Sua humilhação revela-se uma história de triunfo, pois, enquanto o diabo queria subir, ser igual a Deus e tomar a Sua glória (Is 14.12-14), Jesus desceu, Se fez semelhante aos homens, despojando-Se de Sua glória (Jo 17.5; Fp 2.6-8). O diabo trilhou o caminho do orgulho e da exaltação, cujo destino foi a ruína (Pv 16.18). Jesus trilhou o caminho do sofrimento e da humilhação, cujo destino foi triunfo, glorificação e salvação dos pecadores.

Outro ponto intrigante: Jesus sabe quando voltará? Muitos pregadores, até mesmo pentecostais, afirmam contundentemente que Jesus não sabe o próprio dia da Sua volta. A base para tal afirmação é esta: “Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho do Homem, mas unicamente meu Pai” (Mt 24.36). Uma análise deste versículo dentro dos critérios da Hermenêutica e, acima de tudo, sob a luz do Espírito Santo, nos fará entender que a premissa divulgada pelos pregadores pentecostais (NÃO TODOS), estar em pleno descompasso com o ensino geral das Escrituras, portanto, não merece confiabilidade.
Veremos com base nas Escrituras Sagradas, pelo menos, 6 razões porque o Filho de Deus sabe o Dia da Sua Volta: 

1. A missão de Jesus era revelar o Pai aos homens (Jo 1.18; 17.4). Com isso, Ele a Si mesmo se esvaziou (Fp 2.7 ARA). Ao dizer que somente o Pai sabia o Dia em que o Filho do Homem há de vir, estava esvaziando a Si mesmo e glorificando o Pai perante os homens; 

2.O Senhor Jesus Se esvaziou de tal maneira que ocultou Sua glória aos olhos dos homens: “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.5). Ele mesmo disse: “... com aquela glória que tinha contigo...”. O verbo no tempo passado expressa a humilde condição do Filho de Deus em ocultar a Sua glória aos homens;

3.A doutrina bíblica do que chamamos “esvaziamento” explica que, mesmo humilhando-Se para fazer a vontade do Pai, sendo feito “menor do que os anjos” (Sl 8.4,5; Hb 2.6-9), isso não significa que Ele tenha perdido a Sua Deidade. Ele mesmo disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30; 17.21). Ele Se fez homem sem nunca deixar de ser Deus;

4.Afirmar que o Senhor Jesus NÃO SABE o dia da Sua vinda é descartar o conceito bíblico da Divindade do Senhor Jesus Cristo. Sempre que necessário, o Filho de Deus mostrou os Seus atributos que comprovavam Sua divindade sendo igual ao Pai em essência. Jesus conheceu os pensamentos dos escribas que arrazoavam nos seus corações quando o Mestre perdoou os pecados dum paralítico (Mt 9.2-4). Conheceu a malícia dos que Lhe interrogaram acerca do tributo (Mt 22.18); Conhecia o que havia no ser humano (Jo 2.25). Por que não saberia Ele o dia da Sua volta?

5.Não sabemos o “Dia e hora” (Mt 24.36) da vinda do Senhor Jesus. Entretanto, Ele deixou claro os sinais que antecederiam a Sua vinda para arrebatar a Igreja eleita, para ficarmos apercebidos acerca deste grande Dia. Se o Filho de Deus previu os acontecimentos futuros no tocante ao arrebatamento dos santos e à grande tribulação, certamente Ele sabe o “Dia e hora” em que voltará à terra;

6.É extrema tolice marcar uma possível data assinalando-a como o dia da vinda do Senhor Jesus. Ele especificou uma série de sinais que denunciaria que realmente Ele viria para arrebatar o Seu povo (Mt 24; Lc 21.5-36). É inútil marcar uma data para a vinda do Filho do Homem; no entanto, é útil que vivamos em vigilância (Mc 13.33), estando atentos aos acontecimentos que dão realce ao retorno iminente do Rei da glória. Se nós temos ciência dos acontecimentos que evidenciam que Jesus um dia voltará, então Ele muito mais sabe perfeitamente o dia em que Ele voltará. 

É lamentável como uma onda de ensinamentos torpes, contrários à Sã Doutrina, tem infestado muitas comunidades de fé, outrora, conservadoras da Palavra genuína de Deus. Precisamos conhecer o Deus a quem servimos e desfrutar de um relacionamento vívido e fervoroso com Ele. Precisamos conhecer quem é aquEle que deu a Sua vida por nós, resgatando-nos com Seu sangue precioso. Jesus em breve voltará, esperança esta de todos os redimidos no Seu precioso sangue! Aleluia!


segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Maldade em ritmo acelerado

O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância (Jo 10.10) 

Ficamos surpreendidos ao depararmos com a velocidade da luz, do percurso da corrente elétrica atravessando um fio condutor ou mesmo de outros fenômenos cujas peculiaridades nos causam admiração, às vezes, ao extremo. Nos admiramos com a velocidade de uma notícia veiculada pelas redes sociais, onde, um fato alarmante, ocorrido do outro lado do planeta, chega até nós com tanta facilidade em caráter repercussivo. Muitas vezes, não reparamos como o mal se acerca de nós, no começo, se avizinhando na doçura do mel, e no final, na amargura do fel, ou seja, estrategicamente destrutivo. O mal, em certos aspectos, é atrativo, aparentemente bom, mas, essencialmente maléfico; dois grandes versículos, entre muitos outros, acentuam esta verdade, sendo o primeiro o que está escrito na primeira carta aos Tessalonicenses: "Abstende-vos de toda aparência do mal" (1 Ts 5.22), ou seja, sua aparência pode mostrar ser bom, benéfico, mas, sua essência, é nocivo e um agravo ao ser humano em todos os seus aspectos. Segundo, o escritor sagrado da carta aos Hebreus assim nos diz: "... deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia..." (Hb 12.1). Veja bem: TÃO DE PERTO. Não está longe, para nos acharmos seguros em nós mesmos, na vantagem de que nunca cairemos, mas, TÃO DE PERTO, para encontrarmos segurança naquEle que, sendo, tentado, pode nos socorrer na hora da tentação e da aflição (Hb 2.18; 4.15). 


João, o apóstolo amado, registra as palavras do Senhor Jesus, dizendo que o ladrão não vem senão a "roubar". Primeiramente, roubar, depois, matar e, finalmente, destruir. Essa tríplice ação do Diabo mostra sua astúcia em destruir os homens, afastando-os cada vez mais do Criador. Por astúcia entendemos como "habilidade em enganar", "Esperteza inclinada para a maldade", lembrando o passarinheiro que, com inteligência, arma sua arapulca, seu laço, para deter nelas a sua vítima. A desvantagem do mal é que ele não é crescente, mas, decrescente, conforme descreve o profeta Isaías acerca da queda do querubim ungido: "E tu dizias no teu coração, Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono, e, no monte da congregação, me assentarei, da banda dos lados do Norte. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo" (Is 14.13-15). O grande mentor do mal e o primeiro pecador da história, o Diabo, propôs no seu coração "subir", porém, foi levado ao mais "profundo do abismo", ou seja, desceu em razão de sua soberba. O mal é decrescente, quem usa dele para tentar subir desce ao mais baixo escalão da miserabilidade humana. Fica o alerta bíblico: "Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem" (Rm 12.9). 


Disse Jesus: "O ladrão não vem senão a roubar...". Ele estava no Éden, roubou do primeiro casal a convicção da Palavra de Deus, distorcendo-a (Gn 2.16,17; 3.1-6), digamos, tentando mudar a verdade de Deus em mentira, levando o primeiro casal ao pecado contra Deus. Este roubo culminou na morte do primeiro casal em caráter: espiritual, ou seja, separados de Deus; e moral, isto é, separados da vida de Deus, da justiça e da santidade (Ef 4.24), gerando um efeito destrutivo.Que a maldade percorre um ritmo acelerado isso está comprovado em várias passagens das Escrituras: "E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra..." (Gn 6.5); "... e encheu-se a terra de violência" (Gn 6.11). Do mesmo modo como a violência encheu o coração do que, outrora, era anjo de luz, na eternidade passada (Ez 28.16), agora, permeia o mundo habitável dos homens, numa velocidade sem precedentes. 


Isso se reflete na sociedade? Assustadoramente sim. Com proporções maiores que no passado, pois, ela não se soma, nem se subtrai, mas SE MULTIPLICA (Mt 24.12). Quando olhamos para o que se passa na Televisão, concluímos que a degradação moral é uma constante nos dias atuais. A bondade passa a ser uma mera roupagem, um disfarce, uma camuflagem que procura esconder a maldade penetrada no mais íntimo do coração do homem. A suposta luta defensiva dos valores morais e justos é uma forma de não transparecer o egoísmo desenfreado, a loucura humana embasada na exaltação do "eu", e muitas outras coisas calamitosas que traz ao mundo sem Deus, insegurança e assombro e à Igreja do Senhor Jesus um grande alerta da realidade do pecado, percorrendo velozmente o mundo do coração dos homens e um estímulo à evangelização deste mundo desviado de Deus, arraigados na mentira, na contradição e distantes da Verdade do Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. 


Senhoras e senhores, este é o mal que percorre uma velocidade assombrosa! Que induz e conduz a humanidade na avenida do pecado, uma estrada sem sinalização, escura, aterrorizante, e só a Igreja pode freá-los com a pregação do genuíno Evangelho de Cristo e o poder do Espírito, pois ela não apenas mostra a Luz, ela é a LUZ (Mt 5.14; Fp 2.15). Aleluia!

sábado, 19 de novembro de 2016

10 RAZÕES PORQUE DEVO OBEDECER AO MEU PASTOR - HB 13.17

Muitos professos da fé em Cristo perecem pela falta de conhecimento (Os 4.6; ver Is 5.13). Não congregam, não dizimam, não contribuem com nada em favor do Reino de Deus porque, na verdade, não amam ao Deus do Reino. E o pior de tudo é que acham que podem se prevalecer em assuntos concernentes a Obra de Deus e, na verdade, não passam de incompetentes desvairados, desprovidos de virtudes preceituadas pelas Escrituras Sagradas, a inspirada e infalível Palavra de Deus.
Não raro, acham também que não devem obedecer às autoridades eclesiásticas, os pastores, chamados por Deus e convencionados pela Igreja, e fazem o que querem da sua vida, achando que, com isso, estão agradando a Deus. Mas, observando o princípio lógico e, sobretudo, a Sagrada Escritura, veremos as razões porque devemos obedecer aos nossos pastores.
1.     Toda instituição, todo comércio ou qualquer outro tipo de entidade necessita de uma liderança debaixo de cuja batuta se rege todo o andamento da instituição estabelecida. A própria lógica exige o princípio da boa ordem, especificamente em caráter hierárquico. O mesmo caso se aplica à Igreja. O que é um rebanho sem pastor? Como se conduzirá?
2.     Biblicamente falando, Jesus Cristo é o “Sumo Pastor” das ovelhas (1 Pe 5.4). Deduzimos desta passagem que Jesus Cristo é o “Pastor Chefe”, ou seja, o Pastor em escala maior, debaixo de cuja autoridade estamos. Desta forma, quem diz não obedecer ao pastor local de uma Igreja, ainda não teve um relacionamento com o “Sumo Pastor” de toda a Igreja e não O conhece. Ainda vive na ignorância e não conhece a Verdade do Evangelho. Alguém que diz que não precisa de pastor para obedecê-lo, estar se desfazendo da Pessoa e Obra do Senhor Jesus Cristo, o Pastor por Excelência.
3.     O escritor sagrado da carta aos Hebreus diz claramente: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles...” (Hb 13.17). Analisando o caso por etapa, concluímos que em Hebreus capítulo 13 temos uma série de recomendações deixada pelo hagiógrafo. A maneira incisiva e prática com que escreve estas recomandações revela: a) a preocupação do escritor com os irmãos hebreus: “Rogo-vos, porém, irmãos, que suporteis a palavra desta exortação...”; b) provavelmente pelo fato dele estar prevendo o seu martírio: “... porque abreviadamente vos escrevi” (Hb 13.22). Logo, Hebreus 13.17, consoante a obediência aos nossos pastores, se trata de uma recomendação;
4.     O termo “obedecei”, no original, significa “seguir”, com o sentido de “dar ouvidos” (ver At 5.36). Outrossim, ela abarca a ideia de “persuasão”, na voz passiva, deixar ser persuadido. Também com o significado “confiar”, “sentir-se assegurado”  (Rm 2.19; 2 Co 2.3). Em outras palavras, devemos “obedecer confiantemente” aos nossos pastores, pois, do mesmo modo como o Senhor da Igreja confiou a eles este encargo, devemos obedecer aos mesmos como fiéis ministros da Casa do Senhor;
5.     O pronome possessivo “vossos” dá mais ênfase ao assunto supra analisado. Quem são os pastores? São aqueles q ue cumprem as palavras do Apóstolo Paulo: “... mas também a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus (2 Co 8.5). “depois a nós” dá sentido a palavra “vossos” em Hebreus 13.17, pois, se são “nossos pastores”, são nossos porque foram dados por Deus, cabendo a nós obedecê-los como quem obedece diretamente ao Senhor;
6.     O termo “pastores”, no original, aparece com a ideia de “liderar”, “comandar”, “ordenar”, “ir à frente”, “mostrar o caminho”. O termo é usado para referenciar pessoas que exercem um dado grau de influência e de autoridade (ver Lc 22.26; At 15.22). Ainda o termo é aplicado a Cristo como o Messias, explicando o cumprimento da profecia de Miquéias 5.2 (Mt 2.6). Devemos obedecer aos  nossos pastores porque Deus os elegeu para exercer autoridade sobre o Seu povo. Deus os ordenou para “comandar”, “ordenar”, “tomar a frente”, “conduzir” com autoridade por Ele mesmo outorgada;
7.     “... e sujeitai-vos a eles...”. No original, sujeitar tem o sentido de “render”, “ceder”, “submeter”. Isto implica reconhecimento da autoridade conferida a alguém. Render-se a Deus significa reconhecer Sua grandeza, soberania, Sua infinita e excelsa majestade. Render-se aos nossos pastores significa reconhecer o seu dever de zelar do rebanho, o seu chamado da parte de Deus de supervisionar, cuidar e alimentar o rebanho de Cristo com a Palavra da Verdade, a Sã Doutrina;
8.     O mesmo apóstolo Pedro que disse: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29), também escreveu em sua carta: “Sujeitai-vos, pois, a toda ordenança humana por amor do Senhor; quer ao rei como superior; quer aos governantes, como por ele enviados para castigo dos malfeitores e para louvor dos que fazem o bem” (1 Pe 2.13,14). Veja bem: “a toda ordenação HUMANA”. Os ignorantes, “metidos a sabedores” deveriam conhecer esta verdade bíblica. Devemos obedecermos e sujeitarmos a toda ordenação humana, pois, esta foi constituída pela ordenação DIVINA. Se não obedeço a ordenação da terra, como obedecer a ordenação dos Céus?
9.     Deus é o primeiro e maior exemplo nas Escrituras acerca do respeito às autoridades. Aquele que tem o poder para dar e para tirar, para constituir e para destituir deixou patente nas Páginas Sagradas este grande exemplo. Quando o Senhor ordenou a Moisés que tirasse aos filhos de Israel do Egito, o enviou dizendo: “Vai, ajunta os anciãos de Israel, e dize-lhes...” (Êx 3.16). Os “anciãos”, aqui, não são somente os varões de avançada idade, mas também de posição privilegiada entre o povo hebreu, mostrando certa influência no meio deles. Logo, a boa nova de libertação da escravidão, antes de ser dirigida a toda a nação hebreia, seria primeiramente endereçada aos “anciãos” do povo. O Deus vivo, verdadeiramente Deus, um exemplo de respeito às autoridades. E nós? Estamos seguindo este exemplo?
10.   Interrogado pelos fariseus acerca do tributo pago a César, prontamente o Filho de Deus, a Sabedoria Personificada do Altíssimo, lhes responde: “Daí, pois, a César, o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Mt 22.21). Quem era César? Um homem impiedoso, desprovido de temor a Deus e investido de crueldade e insanidade moral. Contudo, o Divino Mestre não olha para a figura do César, mas, para a autoridade, da qual, ele estava investido. Se Deus, que tem o poder para dar e tirar, que estar acima de tudo e de todos, é o maior exemplo de respeito às autoridades, quanto mais nós que estamos debaixo dela, não devemos nós obedecê-los também?


Para encerrar: nunca colocamos pretexto para obedecer aos nossos patrões no nosso local de trabalho. Às vezes é um reclamão, com a boca cheia de palavrões e um zombador de primeira categoria. Sem olhar para isso, o obedecemos. Mas, colocamos tanto pretexto para obedecer os nossos pastores que pregam a verdade, nos exorta e nos corrige para o nosso bem. Devemos sempre nos lembrar que a Igreja é formada de seres humanos e não de anjos. Somos todos rodeados de fraquezas. Quem conhece as Escrituras, sabe se conduzir prudentemente, reconhecendo o princípio da obediência às autoridades delegadas por Deus.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Não se turbe o vosso coração - João 14.1

Era a reta final do Ministério terreno do Senhor Jesus. Às vésperas de Sua crucificação, o Divino Mestre, ao Se reunir com Seus discípulos, dirigiu aos mesmos palavras de consolo, mostrando ser Ele o Bom Pastor que refrigera as nossas almas (Sl 23.1,3). Era quase o fim de uma Dispensação. Todos os dias nasce o sol, perfazendo seu circuito até chegar no seu ocaso. Porém, mediante a morte e ressurreição do nosso Salvador, nasceria mais do que um dia, afinal, Ele é o “Sol da Justiça” (Ml 4.2), que viria no Seu resplendor para dissipar o pecado e nos regenerar à condição de filhos de Deus. A Sua vereda foi como “a luz da aurora” que foi “brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Glória a Deus!  
O que pode turbar um coração? Circunstâncias adversas da vida contribuem para nos deixar com o coração turbado e dilacerado. Afinal, turbar significa “perturbar”, “toldar ou entristecer” e até “escurecer”. O sentido do termo indica uma situação desfavorável, desconfortante, causando-nos aperto. Devido o amontoar das situações que são degradantes, vão “escurecendo” as esperanças, impedindo-nos de vislumbrar os horizontes da vida. Logo mais adiante o Mestre seria preso e entregue à vontade de Seu próprio povo (Lc 23.25). Porém, Sua missão não encerraria com a morte, pelo contrário, na Sua morte também “morreria” a velha dispensação, os fracos rudimentos da Lei mosaica e, em Cristo, seria inaugurado “um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas” (Hb 8.6). As razões para não deixar que o nosso coração se turbe não se restringe à horizontalidade da vida e sim à verticalidade dos valores eternos, pois, estes vão além da transitoriedade e da temporalidade.
De acordo com os grandes intérpretes da Bíblia o termo “turbe”, no original grego, significa “incitar”, “agitar”, com a ideia de turvar a água. Ao lermos “não se turbe”, podemos exaurir do versículo algumas lições:
1.     Está no presente do imperativo, indicando uma ordem, expressando uma ação continuada. Desse modo,  a ordem expressa aqui é que o cristão deve sempre estar com o seu coração blindado na fé em Deus a fim de que as dificuldades da vida não o incite à incredulidade nos propósitos do Senhor para conosco;
2.     A negativa “não se turbe” implica a proibição de uma ação, mormente quando ela está ocorrendo. Os discípulos estavam com os seus corações turbados, mas, não havia razão para tal. O nosso coração pode estar turbado por alguma coisa, mas, segundo a Escritura, não há razão para nos conformar a isso, pois, Jesus disse: “credes em Deus, crede também em mim”;
3.     Um coração turbado é um coração agitado. Por agitado entende-se tudo aquilo que oscila conforme uma situação. Com isso, Jesus aqui nos ensina que, quem realmente crê no Senhor não oscila, não varia segundo o ritmo das adversidades e das aflições (Sl 125.1). Devemos andar e viver pela fé (Hc 2.4; 2 Co 5.7), pareada, alinhada à vontade de Deus revelada na Sua Palavra e nas Suas indizíveis promessas que Ele nos fez.
Qual a razão para não turbarmos o nosso coração? A resposta nos é dada pelo Senhor Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo 14.2); onde fica a casa do Pai, no sentido em que Jesus aqui se referiu? Não é na terra, aonde tudo é transitório, é efêmero; não é aqui, aonde tudo proporciona prazeres momentâneos. Na referência em apreço, Jesus nos convida a vislumbrar os horizontes da eternidade, aonde o tempo não entra e não põe limite em nada. Nesta terra, as aflições nos sobreveem e, como chuva de verão, logo passam; mas, na casa do nosso Pai é gozo eterno, é vida eterna, é alegria eterna, é glória eterna, pois, quem nos assegura estas coisas é o “Pai da Eternidade” (Is 9.6).

Quando observamos a vida do ponto de vista da eternidade, tendo como âncora a Palavra de Deus, percebemos o quanto vale a pena prosseguir sem nunca titubear, visto que “por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22; ver Rm 8.18).

sábado, 1 de outubro de 2016

O que significam as palavras "não sofrerão a sã doutrina" em 2 Timóteo 4.3?

Para começar, o que é doutrina? Por este termo, definimos como “instrução”, “ensino”, “conjunto de princípios que rege uma filosofia ou religião”. Em nosso caso, doutrina é um “conjunto de ensinamentos que, tendo como base as Sagradas Escrituras, orientam o homem a um relacionamento com Deus por meio de uma vida santificada”. Estudiosos da Bíblia identificam três tipos de doutrinas, a saber: a doutrina de Deus – a doutrina bíblica; a doutrina de homens – a doutrina extrabíblica; e, por fim, a doutrina de demônios – a antibíblica. A doutrina de Deus é salutar, pois, seus ensinos constitui-se o norte da vida cristã; por ela, o homem, uma vez redimido, ajusta a sua vida à vontade do Deus Criador de todas as coisas.
Qual é a tarefa da doutrina bíblica? Instruir o cristão a fim de que este possua uma vida alicerçada nos fundamentos da Verdade, para não cair no erro, não tropeçar no engano, tampouco titubear ante os falsos ensinos que se propalam em muitas comunidades de fé (ver 1 Pe 3.15). Pela palavra “sã” entendemos como tudo aquilo que é puro, sadio. Isso significa que a Sã Doutrina tem como finalidade precípua levar o cristão a uma vida pura, sadia em caráter espiritual, moral e até mesmo social, reluzindo neste mundo que jaz em trevas (Fp 2.15; ver 1 Tm 1.9,10; 6.3; 2 Tm 4.3; Tt 2.1). Com isso, já entendemos que a “doutrina de demônios” (1 Tm 4.1) é perigosa, destrutiva e, portanto, nociva àqueles que prezam por uma vida piedosa, arraigada no Evangelho genuíno. Devemos amar a Palavra de Deus (Sl 119.97) e estarmos apercebidos dos falsos ensinadores que, eloquentemente, vem ludibriando a muitos, com suas falsas premissas, com aparência da verdade, mas, sem a essência dela.
O Espírito Santo inspirou os sacros escritores do Novo Testamento a escreverem sobre a apostasia que viria fazendo uma “varredura”, digamos, no seio da Igreja Cristã (1 Tm 4.1-3; 2 Tm 3.1-9; 4.1-4; Tt 1.10-16; 2 Pe 2.1-3; 1 Jo 2.18,19; 4.1; Jd vv 4-19). Isso já está acontecendo. A tolerância ao pecado, a síndrome do “não tem nada a ver” tem ofuscado a visão espiritual de muitos que se acomodaram em uma vida cristã superficial  e meramente relativa. O que estamos vendo é uma mistura de valores bíblicos com “valores” mundanos, tendo com isso um cristianismo híbrido, o que é contrário às Escrituras que nos exortam a uma vida santa, ou seja, separada do mundo e separada para Deus (Rm 6.4,19; 2 Co 7.1; Tg 4.4; 1 Pe 1.15). O “hibridismo cristão” está ganhando espaço em toda parte e quando isso acontece, já não se fala mais em uma vida totalmente consagrada a Deus e ao que ensina a Sua Palavra.
É por essa e muitas outras razões que o apóstolo Paulo alerta o jovem pastor Timóteo dizendo que viria “tempo em que não sofrerão a sã doutrina” (2 Tm 4.3). Como assim “não sofrerão a sã doutrina”? Qual o contrário de “não sofrer”? É resistir. É não reagir de forma correspondente e positiva a uma ação. É isso o que vemos em nossos dias. A doutrina bíblica genuína está sendo desprezada, pois, muitos preferem suas paixões carnais e repugnam a verdade quando esta vem aos seus ouvidos. Mensagens como Salvação, Renúncia de pecado, Santificação, O poder do sangue de Jesus, O Arrebatamento da Igreja e outras mais não interessam mais à Igreja. Agora é tudo moderno, querem ouvir algo mais light. A doutrina do Senhor Jesus é poderosa para nos conduzir à prática da justiça e dos bons costumes, porém, muitos estão resistindo-a, combatendo-a através da sua inclinação às obras da carne, e, como diz a Sagrada Escritura, “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.8). Nos últimos tempos, muitos “não sofrerão a sã doutrina” pelo fato de preferirem agradar mais a si mesmos do que a Deus.
Outrossim, o que significa a frase “não sofrerão a sã doutrina”? o que é sofrer? É ser atingido por algo que pode causar dores ou outra reação. É ser vítima de um duro golpe. É passar por uma situação desagradável ou indesejável. Também, é sofrer um impacto profundo. O apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, prevendo que muitos não sofreriam a sã doutrina, estava dizendo que muitos não aceitariam serem atingidos pela Palavra de Deus, “viva, e eficaz” (Hb 4.12); visto com o a doutrina do Senhor não só reprova como nos afasta do erro, quando a obedecemos, significa que muitos preferiria permanecer no erro do que renunciá-los para viver conforme a vontade de Deus revelada na Sua Palavra. “Sofrer a sã doutrina” é renunciar aquilo que entra em conflito com a Verdade absoluta de Deus, é deixar ela causar um profundo impacto de mudança, santificação e aproximação de Deus. Como já falamos, doutrina é um conjunto de ensinos, de regras, de princípios basilares que norteiam a conduta de um cristão. “Sofrer a sã doutrina” é aceitar a totalidade dos seus ensinos, reconhecendo que somente um coração puro irá nos aproximar da presença de Deus. Ainda, “sofrer a sã doutrina” é contrariar nossas concepções loucas, nossas ideias fúteis, tipo “eu acho”, “eu sei”, “eu penso”, deixando a doutrina do nosso Deus predominar o nosso coração.

Os bons usos e costumes sempre terão sua devida importância na história da Igreja desde que conservados à luz da Sã Doutrina. Do contrário, tudo não passará de fanatismo e radicalismo, mexericos e contendas, pois, tudo vai girar em torno da roupa, do cabelo, da maquiagem, etc, e não em torno da Palavra de Deus. O cristão deve “sofrer a sã doutrina”, ou seja, deixar que seu coração seja flagelado pelo duro golpe da verdade, flamante contra o pecado, moldando o nosso perfil para que vivamos em plena consonância com a vontade daquEle que nos chamou das trevas para Sua maravilhosa luz (1 Pe 2.9).

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O Perigo da "Milagrolatria"

É estarrecedor o que vemos em muitas Igrejas no Brasil. Não me canso de dizer que muitos absurdos que encontramos em certas comunidades de fé ocorrem devido a falta de um conhecimento genuíno da Palavra de Deus. Conceitos errôneos sendo adotados por muitos líderes e pregoeiros da Palavra de Deus vem induzido muita gente a uma vida supérflua, totalmente vazia de  Deus e cheia de emocionalismos fúteis que não produzem edificação alguma. Não para por aí. Algumas denominações, de forma abusiva, procuram se prevalecer sobre as outras, dizendo entre muitas coisas: “Milagre só aqui na Igreja...”, “se na igreja onde você está não acontece milagre, vem pra nossa...”. Em vez de seriedade, o que vemos é uma tão grande palhaçada entre certos líderes que atitudes como estas ferem o verdadeiro perfil da Igreja de Cristo.
Muitos não entendem que coisas desse tipo é como um banho de água lamacenta sobre a imagem da Igreja de Cristo, prejudicando-a e deixando desacreditada na sociedade. Denunciam os católicos por suas práticas idolátricas e nós, evangélicos? A “milagrolatria” está predominando em muitas Igrejas, as quais, em vez de direcionarem sua atenção para o Senhor dos milagres (Hb 12.2), focam apenas no milagres vendo estes apenas como uma forma de se sentirem impressionados, quando deveriam glorificar ao Deus dos grandes feitos. E qual o resultado dessa balbúrdia? Crentes com uma vida espiritual raq   uítica, um conceito mórbido de cristianismo e, em vez de progredirem na fé, acabam por regredir cada vez mais. A pergunta é: onde estão os líderes “milagreiros” que não atentam para isso? Eles realmente se importam com a vida espiritual dessas pessoas? Existe por acaso uma preocupação em torno disso? Pessoas entram e saem vazias  e os líderes e pregoeiros agindo como se isso pouco importasse. Reforçando: falta conhecimento da Palavra de Deus!
Tomaremos como base o texto de Atos capítulo 3. Tendo o apóstolo Pedro ministrado a cura sobre o paralítico na porta do Templo, chamada Formosa, este entrou “no templo, andando, e saltando, e louvando a Deus. E todo o povo o viu andar e louvar a Deus” (At 3.8,9). O que acontece com muitos hoje quando recebem uma determinada benção? Saem da Igreja, difamam a Igreja, em vez de reconhecerem a misericórdia daquEle que é poderoso para nos abençoar e conceder o que lhe pedimos. Olham para Deus como se fosse meramente um “gênio da lâmpada” a quem pode pedir o que quiser e, depois, desdenhá-Lo. O nosso Deus é Senhor, é Soberano, o Todo-Poderoso, e como Tal, deve ser crido, temido e obedecido. Uma pessoa que foca em sua vida apenas um milagre, uma benção e não aquEle que tem poder para dar e fazer muito mais precisa se converter de verdade, precisa conhecer o verdadeiro, suficiente e poderoso Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, que é o poder de Deus “para a salvação” (Rm 1.16). Quem vive aquém desta verdade gloriosa ainda não sabe o que é realmente servir a Deus.
O literato prossegue dizendo que o paralítico, sendo curado, entrou no templo, “andando, e saltando, e louvando a Deus” (At 3.8,9). Louvando a quem? A Deus! Não foi a Pedro e nem a João, homens consagrados na oração e no ministério da Palavra (At 3.1; 6.4). Mesmo sendo estes homens de grande virtude, aquele que, outrora, era enfermo, reconheceu que a sua cura provinha de Deus e, por isso, O louvou e O reverenciou. O milagre que recebemos é como o pão que compramos na padaria. Todos irão dizer que o pão é bom e de qualidade, mas quase ninguém irá lembrar do trabalho do padeiro para que aquele pão chegasse à mesa do cliente, tão delicioso e apetecível. Do mesmo modo são os milagres. Todos irão falar da “grandeza” do milagre, mas nem todos irão mencionar da grandeza daquEle que o fez. O propósito do milagre é honrar a Deus e louvá-Lo com temor e presteza e não fazer o que vemos em nossos dias:  a “divinização” dos pregadores “milagreiros”, esquecendo-se do Deus do sobrenatural.
Após o milagre ter acontecido, diz o hagiógrafo que “todo o povo correu atônito para junto deles no alpendre chamado de Salomão” (At 3.11). É óbvio que o povo, vendo que aquele acontecido era de procedência sobrenatural, ficariam “atônitos”, ou seja, “espantados”, “perplexos”, “admirados”, pois, no “nome de Jesus Cristo, o Nazareno” (At 3.6), os apóstolos fizeram algo que foge às leis da naturalidade, o que chamamos de “milagre”. O que fez o apóstolo Pedro? Esbanjou a sua vida religiosa aos seus ouvintes? Expôs ao público a sua vida diária de oração (At 3.1)? Agiu semelhante ao fariseu, se exaltando, como fazem muitos hoje (Lc 18.10-14)? O que fez Pedro vendo que a multidão correu junto dele e de João? Pregou a Palavra de Deus! Pelo que depreendemos das narrativas, vemos ali uma pregação Cristocêntrica! O intrépido pregador não deu ênfase ao milagre já ocorrido, pelo contrário, ele aproveitou a ocasião para falar da Pessoa bendita do Senhor Jesus! Ele começa a sua prédica, dizendo: “O Deus de Abraão, e de Isaque, e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Filho Jesus...” (At 3.13). Pedro exaltou o Senhor do milagre. Ao invés de falar do efeito (o milagre), Pedro dignificou a Causa (o Senhor, que opera milagres), a Causa primaz para Quem todo o povo deveria fitar os seus olhos. A pregação de Pedro tinha como tema a vinda de Cristo, segundo as profecias veterotestamentárias, para prover a salvação aos homens, conforme o plano de Deus que cumpriu fielmente tudo o que fora falado pelos profetas, trazendo ao mundo o Salvador e Redentor da humanidade (At 3.13-26).
É o Evangelho que é “o poder de Deus” (Rm 1.16), não o milagre. É o Espírito Santo quem convence o homem “do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.8), não o milagre. O nosso objetivo, aqui, não é banalizar a natureza do milagre, ao contrário, é conscientizar quanto ao ponto de equilíbrio que deve haver nesta questão, vista de maneira tão errônea pela maioria das pessoas. De acordo com os grandes estudiosos das Escrituras, os Evangelhos relatam que, das 90 vezes que as pessoas se dirigiam a Jesus, 60 vezes O chamavam de “Mestre”. Vários relatos das Escrituras mostram o Senhor Jesus ensinando ao povo (Mt 4.23; 7.28,29; Lc 20.1; ver Mt 28.19,20; etc). Da mesma forma como Jesus realizava milagres, também destilava a Palavra de Deus a todos os que Lhe ouviam ( ver Mt 5-7).

Sejamos cautelosos. Possamos nós estar embasados na Palavra de Deus, pois, são muitos os enganadores e os enganos que permeiam nos altares das Igrejas.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Uma reflexão sobre a humilhação de Cristo

Uma análise em Filipenses 2.6-8 nos fará entender que a humilhação de Cristo foi tríplice: no espírito, na alma e no corpo. Ele próprio afirmou ter essa composição tricotômica, como homem, quando disse: “o meu espírito” ( Lc 23.46); “a minha alma” (Mt 26.38) e: “o meu corpo” (Mt 26.26; 1 Co 11.24). 

A humilhação de Jesus no espírito: “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” (Fp 2.6). O que é usurpação? É tomar à força o que não lhe pertence de direito, roubar, extorquir, isto é, obter algo por meio da violência. Isto parece um pouco confuso, pois, a Divindade de Cristo é atestada até mesmo no Antigo Testamento, ainda que não percebida claramente (Is 9.6; Jr 23.5,6; Mq 5.2). Entretanto, quando lemos a frase “não teve por usurpação”, constatamos a humilhação de Cristo, em termos mais precisos, desde o Seu nascimento virginal, visto que Deus não nasce (Êx 3.13,14; Is 43.10; 57.15). Em todo o tempo, Jesus Se humilhou, direcionando a Deus, o Criador, toda a glória devida ao Seu  nome. Ele disse ao diabo no deserto: “... Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás” (Mt 4.10). Veja bem: “e a Ele servirás”. Sendo chamado pelo jovem rico de “Bom Mestre” (Mc 10.17), prontamente Jesus lhe diz: “Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus” (Mc 10.18). O que é isto senão a humilhação do Senhor Jesus, fazendo em todo o tempo a vontade do Pai? No Sermão Profético, Jesus diz: “Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai” (Mt 24.36). Mas uma vez vemos comprovada a humilhação do Filho de Deus, atribuindo a Deus a grandeza, a soberania e o controle de toda a História. Enquanto o diabo, no passado imemoriável, havia proposto no seu coração: “Serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14), Jesus “não teve por usurpação ser igual a Deus”. Aleluia!    

A humilhação de Jesus na alma: “Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7). A alma é descrita na Bíblia como a sede da personalidade, dos sentimentos e das emoções, logo, se trata de uma coisa que envolve relacionamento. De acordo com a Escritura, Jesus tomou “a forma de servo”. Ao invés de buscar para Si honrarias, posições privilegiadas e outras prerrogativas, preferiu o ato serviçal (Mc 10.44,45). A humilhação de Jesus na alma, tomando a forma de servo foi a ponte para Deus caminhar em direção ao pecador, oferecendo-lhe a dádiva da salvação (Ef 2.8). Por isso é que o apóstolo João nos diz que Jesus é a propiciação pelos nossos pecados (1 Jo 2.2). O termo em destaque significa “ser propício”, “ser favorável”. Subentende-se nestes termos que Deus, tendo toda a razão para estar irado com o homem, aplicando sobre este a Sua justiça punível, mostra misericórdia e brandura para com o homem. Alguém lá atrás Se humilhou, tomando a forma de Servo tornando-Se a ponte, a via de acesso pela qual o Deus Todo-Poderoso oferece ao homem salvação e vida eterna. Vemos aqui respondida a oração do profeta Habacuque: “Na ira lembra-te da misericórdia” (Hc 3.2).

A humilhação de Jesus no corpo. “... sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8). Alma e espírito transcendem a esfera da mortalidade e da materialidade; com isso, deduzimos que o nosso Senhor sofreu a humilhação no corpo, passando pela morte. Como Deus, Ele é a ressurreição e a vida (Jo 11.25), como Homem, humilhou-Se, cumprindo, assim, o “tempo de nascer” (Ec 3.2) na “plenitude dos tempos” e o “tempo de morrer”, segundo diz a Escritura Sagrada que Ele “morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm 5.6). E, como todo aquele que “a si mesmo se humilha será exaltado” (Lc 18.14), assim foi o Senhor Jesus (Fp 2.8,9). A humilhação de Cristo é reforçada pelo escritor da carta aos Hebreus: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também Cristo...” (Hb 9.27,28). Tal como os homens passam pelo crivo da morte, assim também Jesus. Aos homens está ORDENADO! Cristo passou pela morte de maneira voluntária, cumprindo, assim, o brado profético: “Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1 Co 15.54,55). Verdade é que estes versículos se referem ao soar da trombeta em que, tanto os que dormem em Cristo como os que estão ainda vivos, serão transformados, conforme argumenta Paulo no versículo 54. Contudo, não deixa de elucidar o triunfo de Cristo sobre a morte, mesmo sendo afetado pelo seu terrível aguilhão (1 Co 15.56; ver Gn 3.15). Ainda na Sua humilhação alcançou vitória, pois, diz a Bíblia que Ele “suportou a cruz, desprezando a afronta” (Hb 12.2). Por amor a Deus e à humanidade perdida, Jesus passou pelo mais degradante nível de humilhação. Sendo Deus, Se fez homem; sendo a expressão viva do amor de Deus, sofreu o ódio do Seu próprio povo; sendo Senhor, Se fez servo (Mc 10.44,45); sendo Eterno, viveu a temporalidade; sendo a “imagem do Deus invisível” (Cl 1.15), entrou na esfera das coisas visíveis (ver Mt 13.16,17). Em tudo quanto viveu e sofreu, triunfou, “pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9). Glória a Deus nas alturas! O Cordeiro venceu!

Precisamos conhecer o Salvador das nossas almas, aquEle que Se entregou por nós e com Ele ter um relacionamento vívido e fervoroso. Glória ao Filho de Deus!