quarta-feira, 15 de junho de 2011

Boa Fama ou Boa Índole?

Não existe riqueza maior comparada a uma conduta ilibada na Palavra de Deus. Quando paramos para refletir nisto, concluímos que a preservação do nosso caráter é algo de grande valor e deve ser perseguida a todo o instante. Se o homem escreve a sua própria história, logo, ele faz o seu próprio nome. Mais importante que a boa fama é a boa índole.


Jesus nos deu exemplo dessas coisas. Ele próprio havia dito que não recebia glória de homens (Jo 5.41), porque bem sabia dos efeitos negativos que a fama podia trazer; tendo ciência de que Sua fama corria por toda a Judéia e adjacências (Mt 4.24; Lc 5.15), Ele se retirava para os desertos e ali orava (Lc 5.16). O Evangelista Marcos nos dá um relato interessante acerca de Jesus; a multidão ficava entusiasmada com Seus ensinos atinentes ao Reino de Deus, com a autoridade de Suas palavras a ponto de querer ouví-Lo incessantemente. Entretanto, quando falamos em MULTIDÃO, referimo-nos a fama, popularidade, prestígio e outros sinônimos aplicáveis; sabendo que mais valioso do que isso são as almas, Jesus, deixando a multidão (Mc 4.36), chegou à outra margem do mar, à província dos gadarenos (Mc 5.1). Notem bem que em Marcos 4.36 diz: "Eles", mas, quem são? Os discípulos. Contudo, como era Jesus quem tinha ordenado a eles que passassem para a outra margem (Mc 4.35), os apóstolos foram, porém, levando consigo o seu Mestre (Mc 4.36). Enfim, Ele deixou a multidão a fim de evangelizar apenas uma pessoa, o que assim fez (Mc 5.1-19).


Com isso, o Senhor da Igreja nos ensina a não ponderar o nosso coração na fama, no olhar da multidão, pois, doutra forma, estaremos nos desvirtuando do santo propósito de glorificar a Deus na expansão do Seu Reino; outrossim, quem preza pela fama, não priva pelo seu próprio caráter (o significado da palavra "índole") nem zela pela imagem de servo(a) de Deus. A nossa maior ignorância é traduzir boa fama como sinônimo de boa índole, o que é um grave erro. Quem muito se atrela a fama se esquece da importância do bom testemunho; tudo o que procura é a atenção da platéia, elogios, aplausos, assovios e admirações. Quem preza pela boa índole faz exatamente o contrário: procura atrair a atenção de Deus para si, valoriza seu testemunho de vida e sempre elogia as virtudes de outrem ao invés de procurar elogios para si, porque tudo o que faz, o faz para a glória de Deus (1 Co 10.31).


Por que o Senhor desfez os desígnios dos que edificavam a torre de Babel? Porque desejaram ardentemente a fama ("Façamo-nos um nome" - Gn 11.4), fama esta que lhes corrompeu a alma, fazendo-os contrariar a ordem de Deus (Gn 11.4; ver Gn 1.28; 9.7). João Batista é um forte exemplo de boa índole; sendo informado de que a multidão ia após Jesus, podia ceder seu coração à inveja, mas, sabendo ele que era nada mais que uma voz clamando no deserto (Jo 1.23) e reconhecedor da majestade e do senhorio de Cristo (Jo 1.27), disse com ânimo: É necessário que ele cresça e que eu diminua (Jo 3.30). Será que alguém ambicioso por fama diria isso de outra pessoa? Na escola da fama, os amigos são vistos como rivais e não como pessoas dignas de sucesso, capazes de nos proporcionar ajuda.


Que possamos nos matricular na escola da boa índole, aonde o Professor Jesus Cristo nos ensina a simplicidade e a primar pelo sucesso de nossos irmãos (Fp 21.-9).


Deus vos abençoe!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O maior milagre que pode acontecer

É incrível como muitas pessoas se atrelam a uma tese absurda que "igreja aonde não acontece milagres é igreja morta e desprovida da unção e do poder do Espírito". É bem verdade que existem denominações nestas condições que assinalamos, porém, não deixa de ser absurdo o que até muitos pastores dizem sobre isso; "se não houver milagres, sinais e maravilhas, é porque essa igreja é raquitíca na fé e não possui comunhão com Deus", é o que afirmam com intenção de se promover sobre as demais igrejas evangélicas. Converte esses pastores, Jesus!
Ainda creio piamente que o maior milagre que podemos ver é uma pessoa sair pela porta de uma igreja impactada e transformada pela genuína Palavra de Deus! Entretanto, o povo ficou mal acostumado com isso; procuram igrejas que oram por milagres e refutam aquelas que se preocupam em alimentar as almas com o precioso ensino das Escrituras. Não sou contra milagres, pois, isto é uma verdade bíblica; creio no Jesus que purificou um leproso (Mt 8.1-4), que curou um criado de um Centurião (Mt 8.5-13), também efetuou a cura de um paralítico da mesma aldeia (Mt 9.1-8), dentre tantos feitos que poderia expor aqui, mas, vale salientar que esse Jesus que operou milagres também disse aos Seus discípulos: Se a vossa justiça não esceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus (Mt 5.20); Temos aqui uma referência a respeito do caráter do homem [vossa justiça] excedendo a falsidade dos que se autobajulam afirmando ser alguma coisa. O que converte o ser humano fazendo-o adotar novos hábitos, conceitos éticos e espirituais? Milagres? Não. A Palavra de Deus. Vejamos porque:
O milagre convence - A Palavra converte
O milagre contagia - A Palavra toca
O milagre emociona - A Palavra transforma
O milagre impressiona - A Palavra edifica
O milagre chama - A Palavra resgata

Creio nessas duas coisas: palavra e milagre, porém, como já disse uma vez: "Nada substitui a Palavra!" Creio que o Senhor ainda faz milagres no meio do Seu povo, mas, o mesmo Senhor ainda Se compraz em utilizar a Sua ferramenta infalível: A Palavra (Jr 23.29)! Hoje, muitos desprezam, mas, um dia, lamentarão sua falta (Am 8.11).
Caro leitor, amemos de coração a Palavra de Deus e não a rejeitemos! Ela é infalível e poderosa!
Deus vos abençoe!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Quem inventou o trabalho?



Gênesis 2.5-8

Uma das piores aberrações que ouvimos frequentemente é o fato das pessoas afirmarem que o trabalho foi inventado pelo homem. Porém, isto é totalmente contrário às Escrituras. Vemos claramente através da mesma que o trabalho foi instituído por Deus. E isso nos mostra que desde os primórdios da criação houve a necessidade do homem trabalhar em prol do seu sustento.

Vejamos o que a Bíblia diz: Toda planta do campo ainda não estava na terra, e toda erva do campo ainda não brotava; porque ainda o SENHOR Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra (Gn 2.5). Vejam bem: "... e não havia homem para lavrar a terra", duas coisas são notórias neste trecho: 1) Deus deixou algo em aberto na criação: a necessidade da terra ser lavrada; não foi falha, e sim proposital. Alguém ficaria a cargo dessa tarefa: o homem; 2) A expressão para denota finalidade, propósito, indicando que um dos propósitos para o qual o Senhor criou o homem foi para que este trabalhasse pela sua própria subsistência; isto é, Deus não desceria do céu e colocaria tudo nas mãos do homem, como muitos esperam! Ele mesmo, o homem, lutaria por aquilo que julgasse necessário para o seu susteno.

Portanto, não passam de ignorantes os que dizem que se Adão tivesse vivo, o esmurrariam maldosamente, moendo-o com pancadas por haver inventado o trabalho; na verdade, somos nós quem merecemos apanhar por causa da nossa ignorância quanto a isso! O que ele fez foi causar consequências subsequentes ao trabalho por haver consentido na transgressão de sua mulher, comendo do fruto proibido (Gn 3.6). Vendo isso, o Senhor lhe disse: No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó, e em pó te tornarás (Gn 3.19). No suor do teu rosto... - Dá idéia de sacrifício, trabalho comprometedor e até cansaço físico e mental; Adão obteria o seu sustento, mas, de forma sofredora, deixando-o ofegante. Lavra a terra Adão!

Não podemos reclamar do trabalho das nossas mãos (Sl 127.1,2; Ec 2.24; 9.10) porque isto provém de Deus e é coisa digna de ser valorizada. Trabalhemos com desvelo, pois, do Senhor temos o Seu auxílio.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O cantar do galo e o despertar da consciência - Jo 18.27



Deus é poderoso para promover situações a fim de Se revelar ao homem, despertar a sua consciência, trazendo-o à Sua presença. Aconteceu com o apóstolo Pedro; este, embora andasse com Jesus, presenciasse os sinais que Ele fazia, ouvisse os Seus ungidos sermões, ainda necessitava de um profundo despertamento espiritual. Ele pensava que iria longe, porém, Cristo o advertiu da sua queda (Jo 13.36-38).

Com isso aprendemos que ninguém pode se achar tão forte que não seja apanhado em alguma falha, pois, todos nós somos sujeitos a isso (1 Co 10.12). Sendo questionado pelos que estavam próximo dele, Simão Pedro responde negativamente a todas as indagações que lhe fizeram, ou seja, afirmava não ser discípulo de Cristo e que não conhecia "tal homem" (M 26.72; Jo 18.25). Notemos a maneira como ele se referiu ao seu Mestre: "tal homem", tratando-O como um desconhecido. Enquanto o galo não cantava, Pedro relutava em negar o seu Salvador, mas, quando o galo cantou: 1) Simão se lembrou das palavras de Jesus; 2) conscientizou-se do seu grave erro em mentir para os que lhe indagavam; 3) reconheceu a tolice de haver negado Aquele que lhe vocacionou para o ministério apostólico. Não foi um profeta que Deus usou para mostrar a Pedro a gravidade dos seus erros, pelo contrário, o Senhor usou um galo!

O cantar do galo foi um sinal para que Pedro, caindo em si, atentasse para esta atitude tão deplorável de maneira que não viesse a cometer mais. Quem o Senhor deseja usar para despertar a humanidade dos seus pecados, crendo piamente em Cristo? A Igreja. A quem Deus delegou essa tarefa de ir aos não-alcançados e até aqueles que deixaram o Senhor, anunciando-lhes o Evangelho genuíno de Jesus Cristo? A Igreja. Só assim, eles conhecerão o "tal homem" que morreu na Cruz do Calvário em favor de todos os homens (1 Jo 2.2).

Como o galo que cantou no passado é a Igreja falando no presente, a fim de todos ouçam a Palavra de Deus e se despertem enquanto é tempo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Evangelho Tabajara

Quem não assistiu a um programa da Rede Globo, o "Casseta e Planeta", o qual, no seu jeito anormal de divertir os seus telespectadores, apresentando a "Organização Tabajara" e que também ao exemplificar algum tipo de problema, terminava com uma frase jocosa: "seus problemas acabaram". Não sei se os crentes ainda assistem a esse programa, mas, vemos que o evangelho de Cristo tem sido apresentado ao público com este tipo de estratégia, tão absurda e leviana!
Louvo a Deus pelos pregadores que Ele tem levantado, até porque são muitos, porém, a grande maioria tem deixado de pregar o evangelho da cruz e se detiveram em levar ao povo mensagens agradáveis aos ouvidos, porém, desnecessárias ao coração humano. Desprezando a necessidade espiritual de cada ouvinte, os tais oradores, movidos pela impolgação, porque não dizer também por estarem diante de um enorme aglomerado de pessoas, enfatizam um tipo de evangelho com toda a isenção possível de provações e adversidades que podem sobrevir, desvirtuando, assim, a Palavra da verdade ludibriando os incautos.
Queres obter o prestígio do povo? Almejas ser bem recebido por muitos líderes de igrejas para ter a auspiciosa oportunidade de pregar? É simples! Pregue uma mensagem cuja tônica da mesma seja prosperidade! Aclame a eles: "Aceite a Jesus e seus problemas vão acabar!", "nunca mais você irá sofrer!" Por acaso não é esta a mensagem da vez? Existem pastores que, se pudessem, torturariam um homem de Deus por levar ao público evangélico uma mensagem que denuncie o pecado e admoeste-os a santificação! Os mais antigos na fé compreendem o que, ora, venho expondo aqui.
É verdade que viveremos momentos de gozo espiritual, de bençãos e isso não podemos negar, mas, se é a pura verdade o que eles pregam, o que dizer das palavras de Jesus: "... no mundo tereis aflições..." (Jo 16.33b)? O que dizer dos sofrimentos de Paulo por amor ao evangelho (2 Co 11.23-29; Fp 4.11-13)? Porventura somos nós melhores do que Paulo para estarmos livres de quaisquer vicissitudes? Diz a Escritura que por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus (At 14.22). Jesus em Seus ensinos realçou os valores espirituais, morais e sociais e até enfatizou o cuidado providencial de Deus para com os Seus servos (Mt 6.25-32) conclamando os mesmos a buscarem primeiramente o Reino de Deus e a Sua justiça e todas ESSAS coisas, quais? Roupa, alimento, calçados, etc, vos serão acrescentadas (Mt 6.33).
Tomemos cuidado com certas pregações que não tem nada a ver com o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo, pois, é o que mais ouvimos; eles ensinam que o cristão tem que estar completamente livre de toda a espécie de dificuldades, esquecendo-se do real aspecto deste mundo: imperfeito, e desta forma, nos torna vulneráveis a passarmos por tudo nesta vida. Paulo escreveu sobre as aflições deste tempo presente (Rm 8.18), significando, portanto, deste período em que vivemos; estaremos salvos de todas as aflições na era vindoura, mas, nesta era, convém que passemos pelo teste da fé, pelas provações, para, então, alcançarmos a almejada coroa (Tg 1.12).
Se Jesus viesse à terra pregar o que esses oradores anunciam por aí, Ele não precisaria ter sido crucificado, muito menos ter sofrido nas mãos de seus algozes, padecendo todo o tipo de atrocidades! Que Deus tenha misericórdia dos nossos pregadores, dos líderes de ministério e da Igreja de Cristo no Brasil.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A obra miraculosa do Evangelho



João 9.25 "... uma coisa sei, e é que, havendo eu sigo cego, agora vejo"

A palavra de Deus é poderosa (Hb 4.12), e produz um efeito indizível no coração de quem se entrega a Cristo, pois, ela não é pregada em vão (Is 55.10,11). Ela é a expressão veraz do amor de Deus para com o homem submerso na ignorância. Mais do que palavras, o evangelho é o poder de Deus para a aniquilação do pecado e salvação do pecador (Rm 1.16).

Tendo alcançado a cura da sua visão, tamanha é a convicção dele em responder aos fariseus que levou estes a se enfurecerem, pois era mais um feito que Jesus realizara no sábado (Jo 9.14). Os fariseus não se cansavam de interrogar o que outrora era cego sobre como lhe sucedeu tão grande milagre; ele, no entanto, não se cansava de afirmar que fora curado e que Jesus realizou esta grande obra (Jo 9.10,11,15,25,27). Isso mostra que todo aquele que experimentou o poder do evangelho, nunca deixa de falar da obra de transformação ocorrida em sua vida, mas, sempre dá testemunho dela com fervor e ânimo de espírito.

Aquele homem tinha plena certeza do milagre que havia alcançado do Divino Mestre: "... uma coisa sei..."; ele estava certíssimo do benefício que havia recebido. Todo homem que cede o seu coração a obra miraculosa do evangelho de Cristo possui esta mesma certeza: a certeza da necessidade de salvação, da renúncia ao pecado e de viver uma nova vida em Cristo (2 Co 5.17). O evangelho não gera dúvidas, e sim certezas (Rm 10.17). "Uma coisa sei": Ele me amou primeiro (1 Jo 4.19); "uma coisa sei": Jesus morreu por mim (Jo 3.16; Gl 2.20b); "uma coisa sei": meus pecados foram perdoados; "uma coisa sei": sou membro da família de Deus (Ef 2.14-19)!

Uma outra característica do evangelho é conscientizar o homem da sua vida passada, distante do Senhor, do ponto de vista da sua vida presente: tocada pelo evangelho, reformada pela graça, santificada pelo Espírito e consagrada ao Criador. Havendo eu sido cego, foi uma outra afirmação dada pelo homem que teve um encontro com o Senhor Jesus. Quem verdadeiramente nasceu de novo reconhece a miséria de espírito em que se encontrava no passado, sem Deus, sem rumo certo e com o coração entenebrecido no pecado; como um cego que não vê a luz é o pecador que não atenta para a verdade da Palavra de Deus, a qual, com sua luz inextinguível, remove as trevas da inquidade transformando-nos em uma nova criação.

"Agora vejo", nenhum cego pode dizer que vê se, na verdade, não pode vê. Muitos dentro da casa de Deus ainda são cegos, pois, não deixaram o evangelho entrar em seu coração. Sua visão ainda está ofuscada, tal como a dos discípulos no caminho de Emaús (Lc 24.13-16). Existem quatro coisas que o evangelho da graça faz o homem ver:

1 Que a vida humana é nula e escassa longe do Deus Eterno (Ec 12.1);

2 A vida é breve e passageira (Jó 14.1,2; Sl 103.15,16); portanto, deve ser encomendada aos cuidados Daquele cujas misericórdias são infinitas (Lm 3.22);

3 O homem foi criado por Deus para o cumprimento dos Seus propósitos (Ef 2.10);

4 Há uma herança eterna e incorruptível reservada para aqueles que

perseverarem na prática da Palavra (Mt 24.13; Rm 8.17; Ef 1.13,14; Tt 3.7).

Uma coisa sei, e é que havendo eu sido cego, agora vejo! Quantos podem dizer o mesmo?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O cristão e o Cristianismo


O Cristianismo não é uma religião. É mais que isso. Não é uma filosofia; ele vai além do sistema filosófico deste mundo cada vez mais distante do seu Criador. O Cristianismo em sua essência sobrepassa a cadeia sistemática das leis seculares que regem o mundo de então. Logo, não precisamos viver atrelados aos ditames mundanos desprovidos dos verdadeiros valores morais, pois, servimos a Alguém que nos ensinou o excelente padrão de uma vida justa, equilibrada e harmonizada com os preceitos da Palavra de Deus.
Examinando o livro de Atos dos Apóstolos aonde lemos acerca da igreja primitiva e colocando-a em paralelo com a Igreja de Cristo nesta era pós-moderna, podemos constatar que esta vive mui longe dos ensinos de Jesus; há razão para tanto. Parece-nos que ela se desviou do mastro espiritual da Palavra quando deveria andar nas pisadas da igreja cujo modelo encontramos nas Escrituras Sagradas. Ademais, a igreja dos tempos hodiernos se tornou omissa nos seus deveres diante de Deus para com o próximo. Não somos igreja para nós mesmos e sim para com o mundo que ainda não deixou penetrar em sua vida obscura a luz do Evangelho da graça de Deus.
Jesus disse que somos o sal da terra (Mt 5.13), na mesma referência, Ele falou do sal insípido, apontando para a igreja que não apresenta nenhuma novidade de vida conforme nos ordena a Bíblia (Rm 6.4). O mundo quer novidade e é nossa responsabilidade demosntrarmos isso; sim, demonstrar uma nova maneira de viver, uma nova imagem e uma nova linguagem provando que fomos alcançados pela graça divinal e redimidos pelo sangue de Jesus. O sal foi feito para salgar, extinguir a amargura, produzindo o bom gosto. Ora, ninguém há de comprar sal apenas para guardar em determinado local de conservação, mas para ser utilizado conforme a sua necessidade. Só se coloca sal aonde não tem. Com isso, entendemos que fomos chamados por Deus para dar gosto a este mundo amargurado pelo pecado com o nosso testemunho de vida e convencer os pecadores a repudiarem a sua vida iníqua deliciando-se na pureza do Evangelho de Cristo.
Também somos sabedores de que sal acumulado não resulta em nada. É necessário colocá-lo onde não haja resquício algum de sua aplicação. Por que Jesus nos considera o sal da terra? Porque são muitos os que ainda não provaram o bom tempero da Palavra de Deus; esta missão está a cargo da Igreja (Mc 16.15). E ai de nós se não atentarmos para isso ( 1 Co 9.16)!
Segundo a Bíblia, quando ocorreu a perseguição contra a igreja apostólica, houve grande dispersão (At 8.1). A Escritura diz: Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte anunciando a palavra (At 8.4). O que vem a ser isso? Era Jesus levando sal aonde carecia de sal!
Somente uma Igreja cristã pode fazer isso ao passo que a Igreja religiosa, no seu extremismo, no seu inútil excesso de radicalismo, sempre ficará na mesmice, não cumprindo as exigências do Evangelho do Reino de Deus. A Igreja cristã é compassiva, pratica a caridade, demonstra sensibilidade pela necessidade de quem está ao seu redor, seguindo a hospitalidade (Rm12.13). Ela favorece os santos edificando-os na Palavra e favorece os perdidos propagando-lhes a Palavra!
É lamentável que muitos não possuam mais este santo propósito revelado nas Escrituras. Tudo o que vemos é contendas, falatórios inúteis, desrespeito às diferenças alheias, individualismo exacerbado e além de fazer acepção de pessoas, ainda causa decepção às pessoas! É impossível alcançarmos os pecadores na obra da evangelização quando não há harmonia entre irmãos que professam a mesma fé em Cristo.
Há um grande descompasso entre religião e cristianismo, e todos nós precisamos saber a diferença prevalecedora entre ambos. Há um enorme abismo de separação entre essas duas fontes. Vejamos isso com clareza bíblica:

1 A religião foi a chave que abriu a porta da incredulidade para os descendentes de Abraão não crerem na divindade de Jesus: Não é este Jesus, o filho de josé cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz Ele: desci do céu? (Jo 6.42)- Os judeus tinham em mente o lugar de onde Cristo viera questionando entre si acerca deste fato e da linhagem davídica daonde sairia o Messias (Jo 7.40-44). Sem entenderem os vaticínios, duvidaram do Filho de Deus menosprezando o Seu testemunho.

2 A religião foi o bordão que fez os judeus duvidarem dos sinais que Jesus fazia: Trouxeram-Lhe, então, uma endemoninhado cego e mudo; e de tal modo o curou que o cego falava e via. E toda a multidão se admirava e dizia: não é este o Filho de Davi? Mas os fariseus, ouvindo isso, diziam: este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios (Mt 12.22-24) - O excesso de religiosidade fez aquela gente miserável de espírito não entenderem o plano divino-messiânico de que os sinais eram uma forma de atestar a vinda de Jeus como propósito de Deus para curar a alma dos homens da terrível doença do pecado. Haja vista o que o profeta Isaías havia predito a respeito dos sinais que o Messias haveria de fazer (Is 35.1-6).

3 A religião foi o tema usado pelos judeus para não crerem nos ensinos de Jesus: E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam de sua boca, e diziam: não é este o filho de José? (Lc 4.22) - Do ponto de vista de muitos judeus, o Messias viria de uma família poderosa e influente, porém, Ele procedeu de uma família simples, o que virou motivo para não crer que Aquele carpinteiro fosse enviado por Deus para revelar-lhes a doutrina da salvação, não com sabedoria humana, mas com a sabedoria que emana do Alto.

4 A religião foi a espada que fez os judeus matarem Jesus: Nós temos uma lei,e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus (Jo 19.7) - As afirmações de Jesus no respeitava a Sua divindade incitava nos judeus um ódio profundo contra Ele (Jo 5.17,18; 8.51-59). A religião serviu de escamas nos olhos daqueles pobres israelitas impedindo-os de reconherem Jesus como o Filho de Deus e Salvador do mundo.
O sistema religioso daquele povo não culminou em nada senão na sua perdição. Da mesma forma sucederá a todos os que percorrerem este caminho. Jesus ressuscitou dos mortos, vencendo a morte, o Calvário, o inferno, a sepultura, o império do Diabo e, finalmente, a religião! Por ela, os judeus crucificaram o Senhor, mas nós O abraçamos confessando sermos Seus seguidores.

Jesus ensinou o oposto da religião: amar o próximo, mormente os que nos odeiam abençoando-os em nome do Senhor. Manifestar o amor mútuo é a evidência do verdadeiro discípulo de Cristo (Jo 13.34,35). Praticando o amor, estamos expondo o nosso testemunho de autênticos cristãos, pois, o amor é a essência do Cristianismo, o alicerce irremovível da doutrina cristã. Quando amamos, respeitamos as diferenças alheias, socorremos os necessitados, aparamos os caídos apanhados em sua fraquezas recebendo-os com alegria (Rm 14.1).

O amor extingue as críticas descabidas, pois, tudo o que os religiosos fazem é apontar as falhas de outrem; o cristão, no entanto, segue a recomendação bíblica: Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cubrirá a multidão de pecados (1 Pe 4.8). O amor ultrapassa a barreira do preconceito e o individualismo. A igreja cristã é consciente de que ela é o corpo de Cristo e, como tal, seus membros estão ligados uns aos outros; qual o vínculo que promove essa união? O amor.

O amor dá sentido aos nossos atos (1 Co 13). Quem ama conhece a Deus (1 Jo 4.8). Movido pelo amor, Deus enviou Seu Filho ao mundo (Jo 3.16); da mesma forma, Jesus Se entregou na Cruz do Calvário padecendo injustamente (Fp 2.5-11; 1 Pe 2.21-23). Enquanto muitos dão a sua vida pelos "justos", Jesus deu a Sua vida pelos injustos (Rm 5.6-8), demonstrando, com isso, um amor sem fronteiras, abrangente e singular. De acordo com isso, logo caem por terra as opiniões absurdas dos santarrões do tipo "eu acho", "eu penso", "eu sei"; é o que a Palavra de Deus determina como devemos ser e proceder: A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos amei uns aos outros; porque quem ama uns aos outros cumpriu a lei (Rm 13.8).
Se não houver amor, tudo será em vão e nossas obras serão como a palha queimada no fogo, só restará cinzas. De nada adiantará dons espirituais, sermos bem sucedidos no ministério se não atentarmos para este dom supremo. Amemos de verdade (Rm 12.9) pois quem assim procede é nascido de Deus ( 1 Jo 4.7).