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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Pão e a Pedra

E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? - Mateus 7.9


Mensagens bíblicas que falam sobre o pão, nas mais diversas simbologias são comumente pregadas nas comunidades de fé. O pão sempre esteve relacionado com a história do povo de Deus, quer seja nos tempos bíblicos, quer seja na atualidade. Em alguma denominação evangélica ou até mesmo em um simples ponto de pregação se ouve uma mensagem a respeito do pão, seja ele material ou espiritual; é um tema do qual exaurimos muitas vertentes doutrinárias e teológicas, profundas qual grande oceano. 
Em Mateus capítulo 7 e versículos 7-11 encontramos umas das mais preciosas lições ensinadas pelo Senhor Jesus acerca da oração feita com propósito definido. Todas as vezes que o verbo orar ou sinônimos é mencionado nas páginas do Novo Testamento, ele aparece no tempo Presente do Imperativo (Mt 6.9;7.7; 1 Ts 5.17), ou seja, uma ordem dada no presente, mas que exige uma ação contínua. Com isso, o Senhor nos diz que nunca devemos esmorecer do santo propósito de orar. Alguém já disse que a oração é a respiração da alma; quantos cristãos sofrendo de asfixia espiritual por desprezarem este precioso oxigênio de que nossa alma tanto necessita! Sejamos perseverantes na oração (Rm 12.12).
Acerca da oração como algo a ser praticado constantemente, temos a ilustração dada pelo Senhor Jesus sobre um filho pedindo pão. O objetivo dessa comparação é mostrar que devemos chegar a Deus com propósito certo de que, mediante a vontade do Senhor, será alcançado! Garantia essa assinalada pela Bíblia (Hb 11.6). A bem da verdade, o exemplo de oração usado por Jesus expressa a realidade vivida entre os cristãos, como, doravante, analisaremos.
O ser humano, por natureza, sente necessidade de algo que possa suprimir seus anseios e preencher as lacunas da sua vida. Essa é uma lógica irrefutável. Sempre andamos em busca de coisas satisfatórias para o nosso "eu"; de qualquer forma, sentimos o que é necessidade, seja ela suprida da maneira certa ou errada. A comparação usada por Jesus sobrepassa a temática da oração. Nas Escrituras Sagradas, o pão é apontado como símbolo da necessidade humana, do alimento, etc (Mt 6.11), ao passo que a pedra, por ser algo sólido, retrata a dureza de um coração, contumaz e persistente na maldade, entre outras tipologias bíblicas. Estamos vivendo tempos em que os filhos andam em busca de pão, mas tudo o que vemos é uma petição não correspondida, uma esperança frustrada, um desejo latente não concretizado, enfim, um bem-estar tão sonhado ainda não realizado.
A pergunta bíblica é: "E qual dentre vós é o homem...?" (Mt 7.9). Homem e não pai, como poderia ser especificado. Esse homem pode ser a representação de qualquer pessoa, cujo sentimento possa ser despertado ao ouvir o clamor de um necessitado, envolto em suas mazelas. O filho pode se aplicar àqueles que, em meio a uma tão grande penúria, jogado às margens do esquecimento, clamam por sobrevivência no aspecto social, moral e porque não dizer espiritual. É uma luta na qual não se pode perder a fé e nem as expectativas, serem minguadas. Há três classes de filhos que podemos identificar aqui: o pecador, a sociedade e a Igreja.

1) O Pecador - O sábio Rei Salomão disse: "A alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo amargo é doce" (Pv 27.7). Em muitos lugares e de muitas formas, o homem procura preencher o vazio da alma, lançando-se aos enganos do seu próprio coração. O ser humano, feito à imagem de Deus, reconhece em sua consciência que nada neste mundo pode valer absolutamente a paz para a sua alma; sempre se sentirá incompleto. E na mais absurda ignorância deleita-se em fontes pecaminosas como meio de sentir-se plenamente realizado: "... à alma faminta todo amargo é doce"; é o filho pedindo pão, recebendo, porém, o duro golpe do pecado evidentes nos prazeres vãos cujo destino é a sua perdição. É o filho recebendo pedra, não sabendo ele que o pão, de que tanto necessita, provém do Alto, o qual, pode mostrar-lhe o verdadeiro sentido da vida. Reiteramos, aqui, a pergunta: "E qual dentre vós é o homem...?". No contexto assinalado, esse homem aplica-se à Igreja comissionada por Deus de alimentar este mundo com o Pão da Sua Palavra, "viva e eficaz... e penetra até à divisão da alma, e do espírito..." (Hb 4.12). O mundo oferece pedras, mas a Igreja de Cristo tem o pão necessário à alma do pecador.

2)  A sociedade - O que vemos na sociedade hodierna é o paradoxo do verdadeiro padrão moral a ser seguido. Nunca uma geração esteve tão dissoluta como esta em que vivemos. Os meios de comunicação com o Rádio e a Televisão não se cansam de expor barbáries que vem ao arrepio dos ditames bíblicos e com isso pervertem os valores da família, instituída por Deus (Gn 2.18,22-24; Sl 127.1), contudo, suplantada por um sistema social iníquo, devasso e cada vez mais massacrada pelos ardis do diabo. Esta e muitas outras coisas que expõe a sociedade ao ridículo demonstra o quanto ela necessita do Pão Vivo, que é Jesus Cristo, o Salvador e Redentor das nossas almas. A sociedade pós-moderna vem sendo esmagada pela pedra do relativismo, da insanidade de homens que acreditam reverter esse quadro com suas filosofias vãs, aplaudindo o erro e inibindo a retidão, a boa índole e a verdadeira pureza social. Mas Cristo é o Pão Vivo! O Alimento imperecível aos corações afetados por esta calamidade espiritual.

3)  A Igreja - É lamentável como as coisas vão andando de mal a pior até mesmo na casa de Deus! É desprazeiroso saber que as autênticas pregações sobre renúncia de pecado, santificação, comunhão com Deus, a vinda de Jesus e outros temas bibliocêntricos estão desaparecendo do púlpito da Igreja de Cristo. A pedra dos falsos ensinamentos vem violentando a estrutura doutrinária da Igreja, machucando a vida espiritual dos fieis servos de Deus que andam a procura de pão para fortalecer suas almas no Senhor. cientes de que a misericórdia do Senhor é grande sobre o Seu povo, oremos a Deus para que Ele seja gracioso com Seus filhos! Necessitamos de pão! O pão genuíno do evangelho de Jesus Cristo! Que o Espírito Santo desperte os nossos ministros a fim de que se convençam dessa realidade nutrindo a fé da Igreja com uma poderosa palavra, retirada diretamente da dispensa celestial.

O Senhor, nosso Deus, tem o pão que carecemos! Ele mesmo nos convida a pedi-lo com fé, certo de que Ele é poderosíssimo para suprir esta latente necessidade.

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